Símbolo da modernidade até pouco tempo atrás, o uso de copos plásticos descartáveis no ambiente de trabalho transformou-se num hábito demodê. A nova tendência, correta do ponto de vista ecológico, é substituí-los por canecas reutilizáveis.
Atento ao fato do plástico levar até 400 anos para se deteriorar na natureza, o câmpus de Bauru da Universidade de São Paulo (USP) já promoveu a troca. Inicialmente ela foi adotada pelos profissionais da área administrativa. Há cerca de dois meses atingiu também o refeitório, onde eram utilizados 121 mil copos descartáveis ao ano.
“Cada funcionário ganhou uma caneca que é dele. É individual, plástica, lavável e durável. O objetivo principal é estimular valores e comportamento socioambientais adequados e sustentáveis”, explica a engenheira Simone Berriel Joaquim Simonelli, vice-coordenadora do programa “USP Recicla”.
De acordo com ela, os funcionários foram receptivos à mudança porque a ação não é isolada e faz parte de um contexto que inclui outras iniciativas, como o uso racional de papel, além da separação e destinação adequada de lâmpadas. “A atividade é muito simples, mas esbarra em valores incorporados, o que deixa o processo (de substituição) lento. Mas é uma tendência”, afirma Simonelli.
Concorda com ela a funcionária e aluna da Universidade do Sagrado Coração (USC) Aline Bartolotti Furlanetto, que participa de uma campanha cujo objetivo é incentivar a substituição. Para ela, a troca dos copos descartáveis pelas canecas reutilizáveis só será efetivada nas empresas a longo prazo, quando o acúmulo de lixo incomodar diretamente as pessoas.
Até lá, Furlanetto espera ter convencido os quase 350 colegas a se livrar do hábito, já driblado por ela. “Eu estou utilizando o mesmo copo descartável. Ainda não tenho a caneca”, confessa. Antes da iniciativa, a funcionária e estudante de jornalismo admite que consumia mais de dez copinhos de café ao dia. A USC utiliza cerca de 14 mil deles, nos oito meses do período letivo.
O número levou Furlanetto e outros universitários do curso de biologia, farmácia, publicidade e jornalismo a aproveitar a disciplina Programas de Cidadania para desenvolver a campanha de substituição. O projeto ainda prevê uma palestra didática e uma avaliação entre os funcionários, que serão consultados sobre a idéia da troca. Uma exposição de copos usados também foi apresentada durante a semana passada.
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Século XXI
Embora as ações dos ambientalistas estejam alicerçadas no tripé reduzir consumo, reutilizar material e reciclar, a importância do primeiro item é cada vez mais evidenciada. “Esse é o x da questão do século XXI”, afirma o secretário executivo do Instituto Ambiental Vidágua, Ivan Alexandre Ferrazoli de Marche.
De acordo com ele, que apóia a campanha da Universidade do Sagrado Coração (USC), a substituição de copos descartáveis por canecas é uma tendência que será absorvida pelas empresas a longo prazo. Embora o projeto reduza custos, a implantação não será imediata porque depende da conscientização dos funcionários.
Tanto a Universidade de São Paulo (USP) quanto a USC não informaram valores referentes à compra de descartáveis.