A Legião Feminina de Bauru, instituição criada há 32 anos na cidade, hoje clama por mais voluntários para ajudar a manter as atividades oferecidas a meninas carentes do município com o objetivo de qualificá-las para ingressar no mercado de trabalho.
A necessidade é apontada por Elizabeth Dainton Bernardes, atual presidente da Legião, que ressalta que a instituição está aberta para interessados dos mais variados segmentos da sociedade, como médicos, advogados, estagiários de qualquer profissão e professores, principalmente de matemática, português e informática. “Queremos contar com colaboradores que possam nos auxiliar da forma que puderem, seja através de aulas, palestras ou outras maneiras. Eles são fundamentais para que possamos sempre ter atividades para as centenas de meninas freqüentadoras do local”, explica.
Atualmente, apesar de já contar com voluntários em diversos setores - nutrição, psicologia e assistência social -, a Legião enfrenta dificuldades devido aos poucos recursos existentes para sustentar-se. “A prefeitura é o único órgão que nos auxilia e, por isso, precisamos efetuar campanhas e contar com o apoio dos empresários, que colaboram muito quando admitem as legionárias”, ressalta Elizabeth. “Assim, não temos como pagar pelos serviços, por exemplo, dos docentes e temos de contar com a boa vontade da comunidade”, acrescenta a presidente.
Entre outras atividades, a Legião oferece às meninas cursos de recepcionista, atendente e auxiliar odontológico, com turmas, em média, de 30 alunos, além de aulas de reforço de várias disciplinas. Para ser selecionada, além de passar em testes, é preciso ter, no mínimo, 15 anos e meio, estar freqüentando regularmente uma escola, ter boas notas e a renda mensal da família não ultrapassar três salários mínimos. “A procura por inscrições é muito grande. Recebemos diariamente cerca de dez interessadas”, afirma Elizabeth.
A presidente conta que, somente em 2004, cerca de 100 meninas já ingressaram no mercado de trabalho bauruense. “Elas são capacitadas para trabalhar em qualquer empresa, recebem, pelo menos, um salário mínimo, almoçam e ainda ganham passes para transporte na Legião”, destaca Elizabeth.
As legionárias Elizabeth Maria e Priscila Cristiane, alunas do curso de auxiliar odontológico, destacam que a Legião é uma oportunidade única de qualificação profissional. “É uma chance de ouro para a gente, que nos dá a possibilidade de sair daqui trabalhando. Por isso, nos dedicamos ao máximo”, argumenta Elizabeth.
Já Priscila sustenta que o fato de freqüentar um curso do gênero é essencial para o currículo. “Pretendo seguir uma carreira diferente e me especializar em cardiologia, mas mesmo assim acho importante tê-lo acrescentado no currículo”, salienta.
Além disso, as garotas são unânimes em apontar outro bom motivo para esforçar-se na Legião: ajudar no orçamento doméstico. “É uma oportunidade excelente de passarmos a ajudar a família quando conseguirmos uma vaga no mercado de trabalho”, enfatiza Priscila.