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Beethoven, o cão-PM, vai se aposentar

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Foram seis anos de serviços prestados à Polícia Militar (PM) e, principalmente, à comunidade bauruense, mas agora chegou a hora dele parar. Trata-se de Beethoven, um dos melhores e mais eficientes cachorros integrantes do Canil da PM, que vai aposentar-se de suas funções na corporação.

Treinado desde filhote pelo experiente instrutor Oséas da Silva, Beethoven é um belo e imponente rottweiler que durante três anos consecutivos figurou no ranking brasileiro dos seis melhores do País devido à sua atuação como “cão de polícia”.

“Ele atingiu todos os níveis possíveis de adestramento - básico, secundário, ornamental e especializado - em pouco mais de um ano, o que pode ser considerado um tempo recorde, pois normalmente, para aprender o que ele sabe - são mais de 50 movimentos - são necessários entre quatro e cinco anos de treino”, elogia Silva, que estima já ter treinado cerca de 500 cães durante os dez anos em que atua na atividade. “Mas sem dúvida, o Beethoven foi o mais especial”, enfatiza.

Apesar de tamanha eficiência, as exigências físicas do “cargo” acabaram forçando a aposentadoria de Beethoven. “Ele já foi muito exigido e como apresentou problemas na estrutura traseira de seu corpo, devido ao esforço por fazer saltos em altura, resolvemos tirá-lo das funções para não agravar o problema e tratá-lo com todo o carinho”, justifica o adestrador.

A decisão doeu quase tanto quanto uma facada no peito de Silva, que mantém relacionamento de “pai para filho” com o animal desde quando o cachorro tinha 1 ano de idade.

“Dá dó e um aperto no peito, mas foi necessário”, alega, visivelmente emocionado. A amizade entre ambos é tão grande que o instrutor garante: “Ele parece já saber o que vai ocorrer, pois está triste e fica olhando para a gente com aquela cara de peixe morto que não é fácil presenciar”, acrescenta.

Com o afastamento definitivo do cão, que deverá ser sacramentado pelo comando da PM até o próximo dia 15 de dezembro, Silva já prepara um substituto: Thor, filho de Beethoven nascido há cerca de quatro meses. “Por enquanto, a função do Beethoven ficará vaga por alguns meses até que o Thor tenha condições mínimas para iniciar na atividade, o que ocorrerá, possivelmente, entre abril e maio do ano que vem”, esclarece o adestrador.

E para aqueles que querem saber para onde Beethoven irá após “bater o ponto” pela última vez na Polícia Militar, Silva adianta: vai ficar com ele. “Já recebi por e-mail e telefone centenas de solicitações pedindo a posse do cachorro. Mas, como adestrador dele e pelos vínculos de carinho e cuidado já mantidos, tenho prioridade em sua posse”, explica o instrutor.

Ele revela que fará questão de permanecer com Beethoven em virtude de, mesmo há vários anos na profissão, nunca ter tido em casa um cão adestrado. “Ele vai ser meu companheiro de pesca e, para isso, já está nas primeiras lições de pescaria”, afirma.

Não faltam motivos para Silva considerar Beethoven como seu verdadeiro companheiro. Prova disso, conta o adestrador, é que o cachorro já salvou sua vida durante uma rebelião, ocorrida há cerca de três anos, em uma das penitenciárias de Bauru.

“Depois que debelamos o motim, iniciamos a varredura pelo local em busca de eventuais presos escondidos. Quando fui revistar uma cela em uma área extremamente escura, a porta fechou sem querer e travou. Como não enxergava nada, mas sabia que havia gente por ali, não tive opção a não ser soltar a guia do Beethoven. Ele provocou danos físicos em vários presos, que depois constatamos estarem em oito na cela, todos com estiletes enormes”, recorda. “Por isso, devo minha vida a ele até hoje e sou muito grato”, complementa.

A eficiência de Beethoven na “caça” a criminosos também ficará para sempre na memória do adestrador, que lembra de um fato marcante. “Durante uma varredura em uma casa abandonada, eu o soltei e ele parou deitado próximo a uma escada, impedindo-nos de subir por ela. Foi quando descobrimos a existência de duas pessoas no local, que estavam fortemente armadas mas foram convencidas a se entregar”, conclui Silva.

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