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Ceia de Natal custa ao menos R$ 350,00

Diego Molina
| Tempo de leitura: 5 min

À medida em que os enfeites vão surgindo nas vitrines e na decoração do comércio, os consumidores começam a se preparar para os gastos do Natal. São presentes, lembrancinhas, roupas novas e amigo secreto, sem esquecer da ceia. Nessa semana, a reportagem do JC imbuiu-se do espírito natalino e visitou supermercados, lojas de vestuário, presentes e artigos em geral para conferir os preços dos produtos que farão parte da festa da maioria das pessoas. A conclusão é de que uma família média, com pai, mãe e um casal de filhos, provavelmente não vai gastar menos do que R$ 350,00 com a ceia, roupas novas e decoração da casa. O valor se eleva se forem considerados os presentes e os amigos secretos.

Os gastos, obviamente, dependem do orçamento de cada família, do estilo de festa que está sendo planejada e também das vontades e necessidades de cada membro. No total de R$ 350,00 estão incluídas as compras dos alimentos para a ceia - diferenciados e em geral mais caros do que os produtos do dia-a-dia - como um chester ou peru, nozes, frutas frescas e cristalizadas, além de uma garrafa de champanhe ou vinho e o tradicional panetone. Soma-se a isso o restante dos pratos, como saladas e acompanhamentos.

Para evitar gastos desnecessários, o economista José Roberto Serra recomenda que produtos tradicionais da época do Natal – e por conseqüência com preços elevados -, como nozes e frutas cristalizadas, sejam substituídos na ceia por produtos nacionais, como frutas frescas. “Isso já mudou bastante e os mercados já oferecem produtos com mais variedade nessa época. O ideal é substituir os alimentos importados pelos nacionais, que têm qualidade semelhante e são mais baratos” constata.

Além da ceia, muitas famílias consideram essencial a decoração da casa para criar o clima da festa, com árvore de Natal, enfeites, guirlanda para a porta de entrada e pisca-pisca na fachada. Há também a compra de roupas novas, que não é uma necessidade, porém acaba se tornando um costume dos consumidores.

É o que ocorre na casa da publicitária Márcia Regina Marinelli Nogueira. Ela conta que passar o Natal com roupas novas é quase como uma tradição. “Não tem como fugir, a gente sempre acaba comprando alguma coisa para o Natal. Mas cada um cuida das suas compras, todos aqui em casa já são adultos. É uma festa, uma comemoração feliz e as pessoas gostam de estar bem vestidas”, justifica.

Por outro lado, a família da dona de casa Neusa Maria Garmes de Oliveira não vê como uma necessidade a passagem da data com figurino novo. “É gostoso ter roupas novas, mas não é só porque é Natal que isso se torna uma exigência. Se você está passeando e compra algo que lhe agrada, tudo bem, mas não é uma regra todos estarem com roupas novas”, observa.

Nas lojas visitadas pela reportagem, as opções encontradas de roupas para a festa são muitas, e dependem do estilo de cada um. No total de R$ 350,00, foram incluídas uma peça nova para cada um dos quatro membros da família. Assim, poderiam ser adquiridas uma camisa para o pai, uma camiseta ou um tênis para o filho, um vestido novo para a mãe e uma bata ou mesmo um vestido para a filha. Para os exagerados, um visual totalmente novo, com direito a sapatos e acessórios, não sairia por menos de R$ 180,00.

Presentes

Os gastos no “departamento” de presentes na época do Natal tendem a ser os mais elevados, especialmente se a família possui filhos pequenos ou precisa presentear sobrinhos e outros membros.

De acordo com Márcia, a troca de presentes em sua família mudou com o passar dos anos, especialmente entre o casal e os filhos. “Eu e meu marido deixamos para dar um presente mais elaborado nessa época, mas algo que seja necessário. Não temos mais condições de comprar futilidades, como há algum tempo quando até esbanjava-se nos presentes. Guardamos esta data para dar um presente especial que meus filhos estejam precisando”, comenta.

Na casa de Leandro Rodrigues da Costa, os presentes são “meio obrigatórios” apenas entre os pais e os filhos. Para o restante da família, o amigo secreto foi a solução encontrada, e o gasto com o presente pode ser até maior. “Meus pais sempre dão alguma coisa para meu irmão e para mim, e nós também trocamos presentes, alguma coisa que um sabe que vai agradar o outro. Mas na família, estabelecemos o amigo secreto, e como você só dá um presente, o valor pode ser maior. No ano passado, fizemos de R$ 40,00 a R$ 50,00. Assim, todos os presentes são bons e você só gasta com um”, ressalta.

Na opinião do economista Serra, o próprio clima do Natal, com as lojas decoradas e em promoção, incentiva o consumo e as compras desnecessárias. Além disso, a maioria dos trabalhadores tem o orçamento um pouco mais folgado com o recebimento do 13º salário. “O maior cuidado a tomar é não entrar na euforia do Natal de forma irresponsável. É interessante ao consumidor analisar seu orçamento e verificar o que é possível comprar sem ultrapassá-lo”, afirma.

O economista alerta ainda para as compras em prestações numerosas, que devem ser evitadas. Ele enfatiza que o consumidor deve ter em mente, além do pagamento das compras, os outros compromissos, como impostos e contas da casa. “Depois que passa o clima de festa, as prestações continuam, e o início do ano tem uma série de compromissos, como IPVA e IPTU. Na hora de comprar presentes, é recomendável avaliar se não é um gasto excessivo, só para fazer bonito, e não se deixar levar pelo momento”, conclui Serra.

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