Polícia

Morre vítima de briga no trânsito

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Após ficar internado por três dias no Hospital de Base, Alex Ferreira Cipriano, 19 anos, que envolveu-se em uma briga de trânsito na sexta-feira à noite em Bauru, morreu por volta das 23h45 de anteontem. Ele foi atingido por dois tiros disparados pelo condutor de um outro veículo, que até ontem ainda não havia sido identificado.

Não há registro de morte em briga de trânsito na cidade anteriormente. Comandando os policiais militares que atuam no trânsito há cinco anos, o tenente Jorge Luís Dias não se lembra de nenhuma morte semelhante neste período. “Acredito que seja a primeira morte em briga no trânsito em Bauru”, diz ele ressaltando a necessidade de uma cultura de paz também ao dirigir.

O 3.º Distrito Policial abriu inquérito para apurar a morte de Cipriano. Como o autor dos tiros até ontem à tarde era desconhecido, o caso está a cargo da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). “Estamos tentando identificar o carro envolvido e o autor dos disparos”, comenta o delegado J.J. Cardia, titular da DIG.

Porém, alegando que poderia atrapalhar as investigações, Cardia não informar se há testemunhas da briga nem forneceu mais detalhes do caso. Pelo que foi registrado na sexta-feira à noite, o desentendimento começou quando Cipriano, que estaria dirigindo em alta velocidade, ultrapassou um Vectra na avenida Duque de Caxias.

Mais à frente, no semáforo do cruzamento da Duque de Caxias com a rua Saint Martin, eles teriam se encontrado novamente e iniciado uma discussão. Cipriano teria descido de seu carro e dirigido-se ao motorista do Vectra, agredindo-o com dois socos. A agressão foi revidada com dois tiros, que acertaram Cipriano. O motorista do Vectra fugiu.

O tenente Jorge Luís ressalta a necessidade de obedecer as leis de trânsito e manter o controle emocional para evitar discussões que podem acabar em morte, como a ocorrida em Bauru. “Se o motorista for “fechado” ou verificar que o outro está transitando perigosamente, nunca deve tirar satisfação. Se for o caso, anote as placas do carro e acione a polícia”, explica.

As orientações fazem parte, inclusive, do curso de direção defensiva oferecido pela Polícia Militar aos motoristas. Outro conselho de Jorge Luís é não portar arma de fogo. “Infelizmente, a violência está em quem tem controle e quem não tem controle emocional. Por isso, não recomendamos aos civis o porte e uso de arma de fogo. Ao perder o controle emocional, podem causar uma morte”, comenta.

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Sensibilidade à violência

Para Clodoaldo Meneguello Cardoso, coordenador do Núcleo pela Tolerância da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, órgão que desenvolve reflexões com grupos de culturas distintas visando uma cultura de paz, uma morte em briga de trânsito reflete a insensibilidade das pessoas à violência.

“A sociedade não pode se acostumar com a violência. Nós, educadores, temos que desenvolver a sensibilidade à dor do outro. O outro, que pode ser a vítima da violência, também tem uma história de vida: tem família, sonhos... É igual a nós. Não é apenas um motorista”, reflete.

Por uma cultura de paz, Meneguello orienta as pessoas a se autoavaliar e policiar seus eventuais atos violentos. “Assim como somos capazes de praticar atos bons, também somos capazes de cometer violência. É a marca humana. Por isso, temos que debater esta questão e vigiar nossos atos. Por outro lado, o autor de uma violência não é um monstro. É uma pessoa igual a nós que cometeu uma violência “, completa.

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