Polícia

P2 de Bauru terá aparelho de raio X

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A Secretaria da Administração Penitenciária, responsável por 128 presídios em todo o Estado de São Paulo, vai instalar aparelho de raio X para tentar impedir que os presos tenham acesso a objetos proibidos, inclusive celulares, em mais 30 unidades. Na região, terão o equipamento a Penitenciária “Doutor Eduardo de Oliveira Vianna”, a P2 de Bauru, e a Penitenciária “Doutor Luiz Gonzaga Vieira”, a P2 de Pirajuí.

Até agora, só a Penitenciária de Araraquara e o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Suzano, na Grande São Paulo, têm aparelhos de raio X. Em Araraquara, graças ao equipamento, que está em uso há cerca de dois meses, os agentes penitenciários acharam uma faca grande, desmontada, escondida dentro de um violão.

A Secretaria da Administração Penitenciária informa, através de sua assessoria de imprensa, que o raio X está funcionando muito bem nas duas unidades. Por isso, será instalado em mais 30. De acordo com a assessoria, como no momento não há verba disponível para adquirir o aparelho para todas as 128 unidades, cada um dos cinco coordenadores regionais indicou os presídios que eles consideram prioritários.

O aparelho de raio X é usado para revista dos alimentos e objetos que os visitantes levam para os presos, denominados de jumbos. Semelhante ao sistema que funciona nos aeroportos, o objeto, sacola ou mesmo um alimento, como um bolo, passa pelo equipamento. O agente penitenciário observa, na tela de um computador, o conteúdo da sacola - cada tipo de material é representado por uma cor.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária é possível identificar facas, estiletes, serras, celulares e drogas. Os 30 aparelhos serão comprados por pregão já no próximo mês e a previsão é que eles sejam instalados até o início de janeiro. A estimativa é que cada equipamento custe em torno de R$ 100 mil, três vezes mais barato que o bloqueador de celular.

O coordenador regional dos presídios na região Noroeste, que inclui Bauru e Pirajuí, Antonio Paulo Veronezi, não foi encontrado pelo JC para comentar porque a P2 de Bauru e a P2 de Pirajuí foram escolhidas para instalação do raio X. Também procurado pelo JC, o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Bauru e Região, João Nogueira Sampaio, não sabia da decisão da secretaria de instalar os aparelhos em uma unidade de Bauru e outra de Pirajuí.

Ele lembra que a P2 de Bauru já conta com aparelho detector de metal, que ajuda na revista dos alimentos levados aos presos pelas visitas. “Temos dois detectores de metais, um manual em forma de raquete para revista dos jumbos e das visitas, e outro em forma de arco na porta por onde entram os presos que trabalham fora da unidade. Se tiver metal, o detector pega, mesmo que a faca, por exemplo, esteja desmontada”, frisa.

Sampaio comenta que todos os pacotes são abertos. “Se tem um bolo, nós o cortamos para verificar se não há nada escondido. Já pegamos muita coisa proibida na revista: outro dia ao verificar uma garrafa de refrigerante percebi que a tampa havia sido aberta. Abrimos e verificamos que parte do refrigerante tinha sido substituída por pinga, que é proibida entrar”, conta.

Porém, Sampaio admite que é possível que drogas em pequenas quantidades entrem na penitenciária apesar dos visitantes passarem por revistas pessoais feitas pelos agentes - masculinos e femininos. Mas ele faz críticas. “Precisaria um aparelho de raio X também na enfermaria porque sempre tem preso com suspeita de tuberculose. A capacidade da P2 é para 548 detentos e estamos com 1.030”, diz.

Aos domingos - e uma vez por mês também aos sábados - a P2 de Bauru recebe quase 500 visitantes entre mulheres, crianças e homens. Entre os itens proibidos nos presídios estão telefone celular, bebida alcoólica, fósforo, latas e outros objetos que possam ser usados para a confecção de armas.

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