O “Dia D de Mobilização e Combate à Dengue”, organizado hoje em todos os municípios do País, não passará de uma panfletagem em Bauru. A campanha perdeu forças neste ano porque o material de divulgação chegou à cidade somente na quarta-feira, limitando a programação da Secretaria Municipal de Saúde.
“O Ministério da Saúde diz que são muitas campanhas para conciliar e por isso ocorrem atrasos”, explica o coordenador do Programa Municipal de Combate à Dengue, Flávio Tadeu Salvador. No entanto, a assessoria de imprensa do órgão federal informou à reportagem que a distribuição de fôlderes, camisetas, bonés, cartazes e panfletos foi feita no dia 29 do mês passado.
Os assessores do ministério não explicaram por qual razão as peças publicitárias só chegaram ao Estado de São Paulo na terça-feira passada, conforme atestou a Secretaria do Estado da Saúde. À reboque dos tropeços burocráticos, o “Dia D” em Bauru se concentrará no Calçadão da Batista de Carvalho, onde cerca de 50 servidores farão a distribuição de 5 mil panfletos e a abordagem das pessoas.
“A atividade será das 9h às 14h. Desde o dia 16 estamos nas feiras livres de maior movimento com uma barraquinha mostrando a larva e prestando orientações. Colamos dois mil cartazes. Todos dias as pessoas têm que olhar o seu quintal. A idéia é que no dia 20 todo mundo pense nisso”, esclarece Salvador.
De acordo com ele, a prevenção da dengue ainda receberá um reforço amanhã, quando o “Dengue Boy” - personagem mascote da Secretaria do Estado da Saúde - estará na cidade. Das 10h30 às 12h ele irá divertir e alertar as crianças na 2ª Feira da Saúde do Hospital Estadual. Das 13h30 às 15h30, ele passeará pelo zoológico, informa a assessoria de imprensa da secretaria.
A preocupação recebe o apoio da dona de casa Angela Parecida da Silva Aguilar, para quem quanto maior o número de campanhas, melhor para a comunidade. “Ainda tem muito terreno baldio por aí (com material que pode tornar-se criadouro para a dengue)”, alerta ela.
Moradora do Núcleo Habitacional Geisel, Angela deixa todas as garrafas estocadas em casa de cabeça para baixo e já substituiu seus vasos de água por areia grossa. Adotou a mesma iniciativa a família do instalador de acessórios automotivos, João Paulo Albertini, morador do Núcleo Habitacional Mary Dota. Na opinião dele, os cuidados com a dengue já foram integrados aos hábitos de muitos bauruenses.
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Criadouros
A Secretaria Municipal de Saúde visitou em outubro 5.127 imóveis em quadras sorteadas por Bauru inteira e chegou a uma constatação preocupante: somente nestes endereços existem 19.039 locais favoráveis para o desenvolvimento das larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Os números só não mais graves porque neste ano nenhum caso da doença foi contraído em Bauru (casos autóctones).
Já no ano passado, o total de pessoas infectadas na cidade chegou a 132. A queda nos números, no entanto, não é uma peculiaridade de Bauru. “A redução foi de 90% nos casos nacionais. A dengue tem se comportado em ciclos (de aproximadamente cinco anos). Com picos de transmissão e reduções abruptas”, explica o coordenador do Programa Municipal de Combate à Dengue, Flávio Tadeu Salvador.
De acordo com ele, os índices caíram em Bauru porque a incidência da doença sofreu uma redução em cidades consideradas “exportadores” da dengue, como é o Rio de Janeiro. “Tanta gente contraiu dengue (no Rio), que ficaram imunes aos sorotipos 1, 2 e 3 (incluindo as que sobreviveram a dengue hemorrágica)”, comenta Salvador.