Cultura

Patrimônio local

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

O artista plástico José Baccan possui tinta nas veias. Essa é uma das melhores formas de descrever esse cidadão de Bariri e bauruense de coração. Começou a pintar aos 8 anos de idade e hoje, com 90 anos, comemora 82 anos de uma carreira inteiramente dedicada às telas.

Nascido em 5 de junho de 1914, Baccan passou parte de sua infância em Jaú, se mudando para Bauru na década de 20. Autodidata, o artista segue um estilo livre de pintura. Seus primeiros traços foram realizados em 1922. Aos 12 anos, aprendeu algumas técnicas com o pintor Zico Andreozzi. Quatro anos mais tarde, passou a decorar estampas e arriscar algumas pinturas.

Em 1937, Baccan fundou o 1.º Salão de Pintura de Bauru, juntamente com Padovani e Gerônimo Graciano. Um de seus primeiros quadros, “Paineiras e Flores”, foi comprado em 1948 pela Prefeitura Municipal de Jaú.

Como todo pintor, Baccan passou por várias fases em sua trajetória artística. A década de 40 foi marcada pela natureza morta, época em que o pinto deu ênfase aos temas da natureza, ao colorido vibrantes flores e paisagens. Nesse período, ele descobriu sua preferência por pintar águas, característica considerada marca registrada de sua carreira.

“Adoro retratar a água”, afirma Baccan. Indagado sobre o por quê de sua preferência ele sentecia: “porque isso é o mais difícil”. Perfeccionista, ele sempre buscou ângulos diferenciados e a combinação minuciosa de cores em seus trabalhos.

Além dos inúmeros quadros inspirados em rios - o Batalha e o Jaú são os prediletos do artista - Baccan possui um rico acervo. Uma de suas telas de maior destaque é uma sacra, “Cristo de 1939”. Outra pérola é a tela “Nações Unidas da década de 50”, obra que inaugurou a série de trabalhos feitos em homenagem a Bauru.

Ao longo de sua trajetória, Baccan também passou pela fase das marinhas, e depois das flores. Eclético quanto à escolha dos temas, ele persegue a riqueza de detalhes em todas as suas produções. O reconhecimento do público sempre foi à altura. “Nas décadas de 40 e 50, a maioria dos estabelecimentos comerciais e algumas casas de Bauru possuía algum quadro dele”, conta Marli Baccan, filha do pintor.

Além de decorar imóveis na cidade, as obras de Baccan também foram comercializadas no Exterior. Mais de 50 telas foram vendidas aos Estados Unidos, 30 para a Itália, além de dezenas para a Inglaterra, França, Bélgica, Japão e Portugal.

Isso sem falar nos prêmios que o artista recebeu ao longo de sua carreira. Entre eles, se destacam o 4.º Prêmio no Salão de Belas Artes de Bauru, com a tela “Barreirinho”, em 1956. Prêmio “Melhor do Ano no Setor Artístico”, em 1978, e “Prêmio Aquisição” com o quadro “Batalha Fonte d’Água”, no 2.º Salão de Artes, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura.

A extensa trajetória artística de Baccan é o enfoque da exposição “90 Anos De Vida, 82 Dedicados À Arte”, em homenagem a carreira do pintor, que será inaugurada na próxima quarta-feira, a partir das 20h30, no Templo Bar.

Sob curadoria do artista plástico José Laranjeira, a mostra reúne cerca de 30 obras de autoria de Baccan. A escolha dos quadros está relacionada aos melhores momentos da trajetória do pintor. Assim, não faltarão telas retratando a natureza, em especial as águas, e também obras alusivas a patrimônios históricos de Bauru.

“Eu amo a cidade, por isso pintei seus monumentos”, diz Baccan. Nesse caso, é também um “patrimônio” quem está falando sobre sua estimada cidade. Afinal, não é para qualquer um poder comemorar mais de oito décadas de carreira transmitindo alegria e beleza nas telas. “A pintura é minha vida”, resume o artista. Alguém discorda?

• Serviço

Mostra de telas em homenagem a Baccan. A partir de quarta-feira até dia 8, no Templo Bar. Apoio: Secretaria Municipal de Cultura, Museu Histórico Municipal, José Laranjeira e Cris Jardim. Rua Benjamin Constant, 1-34. Informações: (14) 3223-3493.

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