Há muito tempo as pessoas têm dado mais importância às indicações dos meteorologistas do que simplesmente olhar para o céu em busca de alguma indicação de se irá ou não chover. Muito utilizadas pela agricultura, as previsões do tempo são fundamentais para moda, turismo e segmentos da indústria.
O Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Unesp (IPMet-Bauru) atende diariamente aos mais diversos usuários. As informações ajudam desde pessoas que desejam apenas programar um passeio de final de semana, até os empresários e produtores rurais com atividades ligadas às condições de tempo. O perfil de interesses vai do profissional ligado ao setor do comércio, da indústria e da construção civil, até turistas e adeptos de esportes. Devido à presença dos radares, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros também se utilizam dos serviços.
Essa nova realidade gera uma demanda por informação sobre o tempo e abre campo para novos profissionais. O cenário indica o mercado de trabalho para meteorologistas em expansão, entretanto, falta mão-de-obra para ocupar as oportunidades de emprego. Uma carreira promissora mas pouco difundida. A hora de embarcar nesta fascinante carreira é agora, pois o número de vagas oferecidas pelas universidades está sendo ampliado. A Universidade de São Paulo (USP) já dobrou sua oferta, agora são 40, e estuda incluir na grade curricular diciplinas de gestão de negócios. Dados da consultoria de meteorologia Climatempo estimam que apenas 1.200 profissionais atuem no País.
Formado em meteorologia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em 1997, o meteorologista Adelmo Antonio Correia trabalha no IPMet desde julho de 2003.
Ele destaca que é indispensável que o futuro meteorologista tenha grande afinidade com as áreas de informática e exatas (com destaque para matemática e física).
No instituto bauruense, os meteorologistas fazem a previsão do tempo utilizando dados de superfície (pressão, temperatura, direção e velocidade do vento e nebulosidade), transformadas em cartas sinóticas que representam o estado real da atmosfera. Também são usadas imagens de satélite, imagens de radar e os campos dos modelos matemáticos prognósticos da atmosfera. Essas informações são disponibilizadas na Internet (www.ipmet.unesp.br) e também divulgadas por telefone (3103-6030). Outra tarefa do profissional é elaborar laudos técnicos atestando a ocorrência de fenômenos meteorológicos, como ocorrência de ventos fortes, chuvas intensas, total acumulado de chuva e registros de temperaturas extremas (máximas e mínimas).
Um trabalho extremamente técnico não poderia prescindir de um aparato tecnológico.
“Como sou um meteorologista da nova geração e totalmente dependente dos recursos tecnológicos existentes, não consigo imaginar como seria fazer uma previsão de tempo sem os recursos que temos hoje”, atesta Correia.
Ele acrescenta que a experiência é fundamental, somada ao conhecimento da região de trabalho (o clima, o relevo, vegetação etc.).
Na área de previsão de tempo o erro é aprendizado. Correia explica que quando há um equívoco na previsão o procedimento adotado é uma análise minuciosa do dia em que ocorreu a falha, tentar entender e identificar o que contribuiu para tal situação. As lições extraídas dos erros serão utilizadas futuramente, pois essa é uma maneira de adquirir experiência.
A maioria dos órgãos que trabalham com meteorologia no Brasil são públicos e poucas empresas privadas investem na área. Os governos federal, estaduais e municipais são os maiores investidores na meteorologia no Brasil. Entre os Estados que mais injetam recursos, destaque para São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
Estima-se que o mercado brasileiro de previsão de tempo movimente cerca de US$ 10 milhões por mês, enquanto nos Estados Unidos os valores atingem US$ 90 milhões.