Tribuna do Leitor

PURA EMOÇÃO


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Quem diria, uma novela que virou unanimidade nacional, assim é o remake de Cabocla, cujo último capítulo foi exibido no final da semana passada.

Escrita pelo “mago” da teledramaturgia rural brasileira, o talentoso e competente Benedito Ruy Barbosa, baseando-se em obra homônima de Ribeiro Couto, Cabocla teve o dom de prender o telespectador, sobretudo graças a uma conjugação de fatores, como a singeleza de uma época perdida no tempo, externas gravadas em cenários os mais exuberantes, e total adequação de elenco e direção, com destaque para as brilhantes atuações de Tony Ramos, Mauro Mendonça, Otávio Augusto, Sebastião Vasconcelos, Patrícia Pillar, Vera Holtz e dos novatos Malvino Salvador, Vanessa Giácomo e Maria Flor.

A novela era ambientada em l920, no Estado do Espírito Santo, se dividia entre as fictícias Pau D’alho e Vila da Mata, e como fio condutor, tinha dois romances quase impossíveis: o primeiro, de Luís Jerônimo, jovem advogado do Rio de Janeiro, com a caboclinha Zuca, a filha do chefe da estação de Pau D’alho. O segundo, lembrando muito Shakespeare, do jovem Neco, filho do coronel Justino, e de Belinha, filha do coronel Boanerges, um inimigo figadal do outro.

O mais impressionante do folhetim, entretanto, foi perceber que tanto naquela época, quanto na atualidade, oitenta e tantos anos depois, a política continua a mesma, e Benedito faz, no final do último capítulo, uma emocionante apologia ao voto, a verdadeira e única arma do povo, que parece estar lentamente aprendendo essa lição. (Marcos Vieira da Silva - Iacanga)

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