Geral

Hospital psiquiátrico ameaça fechar

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O Centro de Tratamento e Reabilitação em Saúde Mental Sebastião Paiva, único hospital psiquiátrico de Bauru, corre o risco de fechar as portas a partir de janeiro. Uma crise financeira pode colocar um ponto final em 58 anos de trabalho de uma entidade filantrópica que, atualmente, atende 204 pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Se o encerramento das atividades for inevitável, ele virá como resposta ao embate entre despesas e receitas da entidade, cuja vitória será do déficit de cerca de R$ 30 mil mensais. Os recursos dispensados pelos governos federal e estadual (em média R$ 19 mil e R$ 205 mil, respectivamente) não acompanharam a alta acumulada durante o ano de medicamentos, alimentos e produtos de limpeza.

A informação é da diretoria do hospital, para quem os débitos com água, luz e fornecedores estão em dia graças aos empréstimos tomados. Porém, os esforços em equilibrar as contas levaram a um xeque-mate: o pagamento do 13.º salário dos 230 funcionários. Para quitar com o compromisso, serão necessários R$ 150 mil.

“Quem acaba sendo prejudicado é o funcionário, que está sem aumento desde 2000. O piso é abaixo do mercado (por causa do período sem reajustes). Por enquanto, não pagamos nenhuma parcela (do 13.º salário). A situação tem de ser resolvida até meados de dezembro (prazo final para o pagamento do benefício)”, explica Ana Maria Rodrigues, diretora financeira da Associação Beneficente Cristã, entidade mantenedora do hospital.

Embora ela esteja numa contagem regressiva, desde setembro do hospital tenta afastar a possibilidade de fechamento. Há dois meses, a entidade encaminhou ao governo do Estado uma documentação solicitando recursos, que poderiam vir também por meio de um aumento no repasse mensal. Porém, a assessoria de imprensa da Secretaria do Estado da Saúde informou ontem que a situação ainda está sendo estudada.

Os assessores da secretaria frisaram que o governo de São Paulo também encampou a luta junto ao Ministério da Saúde pelo aumento do teto de valores repassados às entidades filantrópicas conveniadas com o SUS. A assessoria de imprensa do ministério, não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Apesar do impasse, a também diretora financeira da associação, Leni Bolonha Margarido, confirma que o encerramento das atividades do hospital não está entre as intenções da Secretaria do Estado da Saúde. A argumentação está embasada numa reunião realizada ontem com o diretor da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani, na qual ela e outros membros da diretoria participaram.

Comentários

Comentários