Geral

Falta de estrutura leva ao abandono

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Na avaliação da presidente do Conselho Tutelar de Bauru em Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente, Sandra Cristina Ferreira, a falta de estrutura doméstica é a principal causa do abandono dos filhos por parte dos pais.

“Se essa criança for inserida na rede de proteção que ofereça programas e projetos para que a demanda do município seja atendida, certamente o número de crianças e adolescentes abrigados seria bem menor. Isso porque a família já estaria sendo trabalhada preventivamente para que essa situação fosse evitada”, opina.

Ela vê com tristeza a falta de interesse por parte dos pais em retomar seus filhos. “É uma pena porque crianças e adolescentes que estão em processo de desenvolvimento podem ser resgatados”, garante.

Para a assistente social e coordenadora da Sociedade de Proteção à Maternidade e à Criança de Bauru, Giulien Martinez Martinele, a desestruturação familiar deveria merecer mais atenção por parte do Poder Público. “Essa desestrutura socioeconômica está levando a uma desestrutura familiar. Isso reflete no aumento dos abrigamentos”, afirma.

A primeira tarefa após a Justiça receber a guarda de crianças e adolescentes é iniciar um trabalho de reinserção das vítimas na família. “Não podemos desprezar isso. Vamos ao encontro dessa família e tentar trabalhá-la ao máximo. Se não for os pais, que sejam parentes próximos”, explica a psicóloga judiciária Maria Edith Arantes.

Ela reforça o posicionamento do promotor da Infância e Juventude, Lucas Pimentel de Oliveira. “Nós temos dificuldade em colocar crianças em adoção a partir dos 4 anos. Já é uma vitória conseguirmos a adoção de crianças de 2 e 3 anos”, conta.

Para a psicóloga, a partir do abrigamento da criança ou do adolescente, a família já sinaliza seu desejo de evitar o convívio com eles. “É difícil fazer com que ocorra o retorno deles à família.”

A opinião de Maria Edith é complementada pela psicóloga Luciana Cristina Mastrelli Bonora, da Comuna, que abriga 40 adolescentes na faixa de 12 a 17 anos. “Na maioria dos casos, dificilmente os pais aceitam seus filhos abrigados de volta a casa. Na verdade, eles (pais) precisam de alguém que também cuide deles”, conclui.

Outra dificuldade no processo de adoção de jovens na faixa dos 12 aos 17 anos por famílias substitutas é a visão que se tem das casas-abrigo. “Nos vêem como uma Febem. E não somos uma Febem. Há uma desconfiança em relação a esses adolescentes”, comenta o presidente da Comuna, José Moron.

Comentários

Comentários