Sujar panelas e a desconfortável tarefa de lavar a louça que entope a pia estão sendo trocados por restaurantes que oferecem comida a quilo, marmitas e marmitex. A correria do dia-a-dia, o pouco tempo para as refeições e os preços convidativos da comida pronta levam o brasileiro a se esquecer do fogão durante a semana. Em Bauru, a situação não é diferente.
Pólo universitário com grande concentração de profissionais liberais e prestadores de serviços, a cidade vive o clima de velocidade estonteante dos médios e grandes centros urbanos. O relógio é o principal adereço daqueles que correm contra o tempo. A rapidez também chegou na hora de comer.
Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Latin Panel/Ibope com 600 famílias no Estado de São Paulo, 43% dos paulistas optam pela comida fora de casa. Projetado para a realidade de Bauru, estima-se que cerca de 140 mil pessoas das 350 mil que residem na cidade trocaram o hábito de cozinhar diariamente pela comida a quilo, marmitas e marmitex.
A facilidade, o preço e a rapidez são os argumentos mais usados para justificar a mudança de comportamento. A webdesigner Luciana Paranhos Benjamin faz parte do grupo que cada vez mais incrementa a expansão do setor de fast-food. De segunda a sexta-feira, ela almoça em restaurantes de comida a quilo.
“Comer por quilo durante a semana é mais vantajoso. Você encontra uma variedade de carnes e massas que certamente a maioria das pessoas não tem em casa por falta de tempo no preparoâ€, diz.
Luciana aumenta a lista de vantagens. “Também é legal para quem faz regime. A maioria dos restaurantes oferece cardápios balanceados, com variedades de saladas e até mesmo sobremesasâ€, argumenta.
O preço também é outro componente incentivador na hora de optar por refeições prontas. A webdesigner gasta, em média, R$ 6,00 para almoçar no restaurante que freqüenta, cujo preço da comida a quilo é de R$ 11,90. “Se eu fizesse comida em casa só para uma ou duas pessoas, acho que gastaria maisâ€, calcula.
Sua irmã, a dentista Cláudia Paranhos Benjamin, companheira diária de almoço, concorda com os argumentos. “Eu moro sozinha e tenho no máximo uma hora para almoçar. É lógico que não vou cozinhar. Geralmente quando isso ocorre é desperdício na certa porque sobra e tenho que jogarâ€, conta.
Questão de gosto
Nem sempre a correria do dia-a-dia incentiva as pessoas buscarem refeições rápidas e baratas. O glamour dos restaurantes à la carte ainda sobrevive. Embora atenda a uma fatia direcionada dos usuários que optam por comer fora de casa, ser atendido na mesa por um garçom é um conforto aida levado em conta.
O corretor de imóveis Alberto Farha elogia a praticidade e a variedade dos restaurantes fast-food, de quem é usuário, mas confessa que se sente incomodado com essa rotina e com os pratos que raramente se alteram.
“Gosto mesmo de ter o prazer de ser servido num restaurante à la carte. É nesse lugar que encontramos garçons experientes, bons cozinheiros. Você tem de esperar pela comida que ainda será feita, mas vale a pena na hora de degustarâ€, diz.
Ele ressalta que a expansão desenfreada dos restaurantes de comida a quilo e fast-food deve ter fechado milhares de vagas de trabalho, antes ocupadas por garçons e maîtres. “Não acho isso justoâ€, critica.
Farha não acredita que o incremento cada vez mais visível dos estabelecimentos que oferecem comida pronta coloque em risco a sobrevivência dos restaurantes à la carte. “Sempre haverá a clientela que gosta de ser servida e que curte o ritual de um à la carteâ€, opina.