Turismo

Madeira, a ilha das flores

Eliane Barbosa (Colaboração Icep)
| Tempo de leitura: 3 min

A terra de Cabral está mais arrumada do que nunca e neste final de ano brinda os visitantes com a maior árvore de Natal iluminada da Europa, montada bem em frente ao Mosteiro dos Jerônimos.

Mas além de Lisboa, Porto, Évora e Guimarães, cidades históricas importantes, a “terrinha” detém em pleno Oceano Atlântico e a 1h30 de vôo a partir de sua Capital, uma ilha cercada de encantos: Madeira.

Nossos colonizadores a batizaram de “ilha do açúcar” devido a grande plantação de cana-de-açúcar ali iniciada a mando da Coroa. Através dela desenvolveu importantes relações comerciais com Flandres, na Bélgica, e a conseqüente troca de bens culturais, principalmente pintura flamenga, que se encontra em exposição no Museu de Arte Sacra de Funchal, sua bela Capital, que tem cerca de 260 mil habitantes.

A ilha nasceu no Oceano Atlântico há 35 milhões de anos. Da lava ergueram-se espetaculares montanhas cobertas de densa floresta e luxuriante vegetação. Perante este cenário deslumbrante, os descobridores não tiveram dificuldade em escolher o seu nome, Ilha da Madeira.

Esse encantador pedaço submerso no meio do Atlântico tem 57 km de comprimento e 22 km de largura. Ao todo, são 377 quilômetros quadrados de área. Um lugar especial, onde as casas, quase que unidas, parecem trepar nas colinas e o clima é sempre agradável: entre 18 e 25 graus durante o ano todo.

Especial para caminhadas, lá chamadas de “levadas”, através de canais de irrigação construídos pelo homem no início da colonização da ilha. Através dessas trilhas chega-se às profundezas da ilha que faz parte dos patrimônios mundiais da humanidade e se apresenta majestosa com flores que desabrocham multicoloridas num espetáculo único e mágico da natureza.

Quem visita Madeira pela primeira vez tem a sensação de estar num lugar raro, exótico, intenso e penetrante. Parece um sonho por conta das encostas, das falésias multicoloridas, das casinhas que parecem um formigueiro e da densa vegetação exótica.

Sissi, a imperatriz da Áustria, Winston Churchill, Bernard Shaw e Ernest Hemingway são apenas alguns ilustres que se deixaram encantar por um lugar tão especial. Quando o frio congelava os ossos dos mortais na Europa, era em Madeira que se refugiavam. Inclusive para um trago regado ao melhor vinho do lugar: o Madeira.

Assim, a ilha acabou eleita como o refúgio ideal para repouso e lazer. Para se ter uma idéia, nossa segunda imperatriz, Dona Amélia, a segunda mulher de Dom Pedro I, faleceu na ilha, onde fundou um hospital com seu nome e que se destinava a ajudar portugueses e brasileiros atingidos pela tuberculose.

O arquipélago de origem vulcânica, descoberto em 1419 pelos navegadores portugueses Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, integra a ilha da Madeira (a maior e mais povoada, que tem como Capital Funchal, e conta com dez distritos, entre a costa Sul e a Norte) , a Ilha de Porto Santo e dois grupos de ilhas não habitadas: as Desertas e Selvagens (santuários de aves marinhas).

Dois terços da superfície da Madeira estão classificados como parque natural e cerca de um quinto ainda continua coberto com loureiros, tis, vinháticos e barbusanos, as árvores da família das lauráceas que compõem a chamada “laurissilva” da Madeira. O nome vem da associação de “lauri” = laurus (loureiro) com “silva” = floresta.

São 15 mil hectares de uma floresta luxuriante com ancestrais de 20 milhões de anos e que é, atualmente, a mais extensa e bem conservada da chamada Região Biogeográfica da Macaronésia. Composta por árvores e arbustos de folhagens persistente, a laurissilva mantém-se sempre verde durante todo o ano.

“Mas a importância desta floresta não se resume apenas na sua diversidade biológica. É a laurissilva e o coberto vegetal de altitude que garantem o abastecimento de água a toda a ilha. Nas encostas viradas a Norte, a densa vegetação capta a água das nuvens e a manta vegetal que cobre o solo assegura a sua infiltração subterrânea. grande parte dessa água entra depois numa extensa rede de canais de irrigação, as levadas, que a levam montanha fora a todos os pontos da ilha”, explica o professor Pedro Garcias, jornalista do jornal português Público.

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