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Locador restringe jovem em chácara

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Os adolescentes e jovens que desejam alugar uma chácara para fazer uma “festa de arromba” estão fora da lista de preferência dos proprietários. A maioria dos donos de casas de campo não entrega mais seu imóvel a jovens desacompanhados dos pais. A mudança de comportamento é justificada pela crescente depredação dos prédios, com requintes de atos de vandalismo e até mesmo furtos de pequenos objetos.

A indignação é generalizada, com raras exceções. Para alugar uma chácara nos dias de hoje, os locadores se cercam de todos os cuidados e se negam, no ato da consulta, a esticar a conversa se os clientes, em sua maioria, forem jovens sedentos por gastar suas energias com atos que vão causar prejuízos e danos morais.

Maria Luiza Monteiro, proprietária de uma chácara na rodovia Bauru-Piratininga, só aluga seu imóvel para adolescentes e jovens na faixa etária de 15 a 18 anos com a permissão dos pais. E mais: os responsáveis pelos menores devem estar presentes na sua casa de campo para acompanhar a festa.

“Já sofri demais com a molecada e decidi colocar um ponto final: não alugo minha chácara para eles. Se os pais se responsabilizarem e acompanharem, aí dá para confiar”, comenta. No ramo há 15 anos, ela relata que teve dissabores em épocas passadas com os chamados “teens”.

“Já cheguei a encontrar no fundo da piscina um banco de ferro. A bagunça que eles deixam é horrível. Sobram garrafas de bebidas alcoólicas para todos os cantos, mesmo com o contrato rezando que a limpeza é obrigatória”, acrescenta.

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O primeiro contato do locador de chácaras e casas de campo com os interessados já define se o imóvel será alugado ou não. “Não alugo mais para jovens. A não ser que eles venham acompanhados da família”, diz, com voz firme, Zelinda Lima Costa, dona de um imóvel em Águas Virtuosas.

“Eu já perdi pratos, copos, talheres e até mesmo lâmpadas e redes de descanso”, enumera Zelinda. “Também já levei calote”, completa. O prejuízo, segundo ela, só chegou ao fim após riscar os jovens de sua lista de locatários.

Situação idêntica viveu o comerciante Alcy Delfino Figueiredo. Há dois anos no ramo, ele diz que já levaram mesas de sua chácara. “Também quebraram cadeiras e deixaram colchões na grama que ficaram encharcados com a chuva. Não satisfeitos, pisaram com os pés cheios de barro”, relata.

Para Figueiredo, os adolescentes que embalam nas festas de hoje são movidos a bebida alcoólica. “Por isso, não alugo mais para essa faixa de idade. Não compensa o desaforo”, analisa.

Em alguns casos, a seleção dos locadores já ocorre no preço. Renato Leopoldo Rodrigues Pereira, há quatro anos no ramo, é proprietário de um sítio no Campo Novo. “O contato para alugar meu imóvel é feito pessoalmente. Até porque ele é requintado. São quatro suítes, sala de 80 metros quadrados, piscina. A diária é de R$ 300,00”, informa. “Por isso, faço uma triagem”, complementa.

Antes de entregar sua casa de campo para o locador, Pereira apresenta verbalmente uma lista de exigências. â€œÉ proibido jogar bola na parede, colocar o carro na grama, usar copo de vidro na borda da piscina, dentre outras coisas”, enumera.

Para evitar a surpresa desagradável do sumiço de objetos da cozinha, Igor Moreira da Cunha, dono de uma chácara próximo ao Bauru Tênis Clube (BTC) de campo, exige que o locador leve pratos e copos de plástico. Há um ano no ramo de locação, ele diz que ainda não registrou situações graves no seu imóvel. “Alugo para ajudar nas despesas de manutenção”, justifica.

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