Tribuna do Leitor

Salvem nossos rios


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Há um ano, aproximadamente, estive no Rio Paranapanema - trecho Ponte de Piraju (Jurumirim) - e constatei em seu leito e em suas margens as marcas da poluição deixadas pelo lixo abandonado por “maus” pescadores.

Há poucas semanas, de volta ao mesmo local, pude notar que a situação só piorou. Lixo de toda natureza pode ser visto em suas margens e no curso d’água, preso nas galhadas e raízes.

O Panema, como é conhecido na região, é, pelo que dizem, o rio menos poluído do Estado. Suas águas azuis, que correm para desaguar no Rio Paraná, proporcionam linda vista panorâmica.

Quando menino, sempre ouvi dizer que no Panema dava muito peixe! Pescadores aos montes corriam para lá e voltavam com grande quantidade das mais variadas espécies. Tudo sem o menor controle ou obediência a qualquer tipo de regulamento.

Esse é o problema do mau pescador. Ele se “esquece” de compensar e repor na natureza uma parte de tudo aquilo que foi retirado, além de jogar no leito dos rios, a ceva - alimento para o peixe - dos mais diversos tipos, que só servem para agredir a fauna subaquática.

Eu e outros amigos, sempre pescamos em várias regiões, mas temos por obrigação jamais deixar lixo nas margens dos rios e de retirar aquele que muitos deixam para trás.

Além de pescarmos com frequência, levamos para os rios as mais variadas sementes e mudas de árvores frutíferas ou não, que plantamos junto às matas ciliares.

E é por nos preocuparmos com a qualidade de vida desses rios, suas nascentes e suas matas ciliares que nós, da ONG Água Viva, gostaríamos de convocar as autoridades responsáveis pelas regiões do Paranapanema-Jurumirim-Pirajú, Rio Batalha-Clavinote-Avaí, Reginópolis-Ponte para Uru e rio Dourado (Douradinho) - SP 333, município de Cafelândia, para que tomem providências urgentes de fiscalização, que venham pelo menos amenizar esse tipo de problema, pois, em caso contrário, em muito pouco tempo, não veremos mais peixes nesses rios.

Já no município de Gália, onde resido, também padecemos de uma situação parecida. Há tempos chamamos atenção para os Córregos do Beira-Rio e das Antas, o rio que banha a nossa cidade.

Lá assistimos, permanentemente, as mais diversas irregularidades. Uma delas é observar o gado de proprietários da região a pastar às margens dos Córregos pisoteando suas matas ciliares e contaminando as águas com seus dejetos.

Por outro lado, há uma população ribeirinha que, contrariando lei que proíbe a construção de moradias em áreas de mananciais, vem ocupando desordenadamente as margens do afluente, córrego Coronel Eduardo Porto (Beira Rio), contribuindo, ainda mais para a poluição e deterioração desses córregos.

Assim, aproveitamos a oportunidade para, mais uma vez, pedir a atenção das autoridades de Gália, para que protejam nossos rios e suas nascentes e, principalmente, providenciem a transferência dessa população que se estabeleceu à beira do rio, em local já conhecido como “esmaga sapo”.

Afinal, estamos certos de que já está mais do que na hora para que atitudes enérgicas sejam adotadas, com vistas à recuperação e preservação do que restou do nosso querido Rio das Antas, que hoje se transformou em um simples córrego.

Laerte Mazeto - membro da ONG Água Viva de Gália - ONGAV - RG 3.965.517/9

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