As 67 entidades assistenciais de Bauru conveniadas com a prefeitura estão há dois meses sem receber. Sem a verba municipal, as instituições estão organizando promoções, como pasteladas e bazares da pechincha, de última hora para tentar pagar o 13.º salário dos funcionários e contas de luz, água, telefone e contribuições trabalhistas.
Por mês, a prefeitura repassa pouco mais de R$ 200 mil para serem divididos entre as 67 entidades. A Creche Rainha da Paz, que fica na Vila Falcão e atende 62 crianças em regime integral, por exemplo, está vendendo salgados na entidade e agendou um chá beneficente para domingo à tarde. “Estamos fazendo estas promoções para tentar cobrir a folha de pagamento e contribuições trabalhistas”, explica Sérgio Ricardo Rodrigues, presidente da creche.
Por mês, a prefeitura deveria repassar à creche pouco mais de R$ 1,5 mil, quase suficiente para pagar a folha de pagamento. Rodrigues lembra que a despesa mensal da entidade gira em torno de R$ 4 mil. Sem receber já há dois meses, a dívida com funcionários chega a R$ 3 mil.
A mesma situação vive a Creche Maria Ribeiro, localizada na área central da cidade. Atendendo cerca de 80 crianças também em período integral, os salários do mês passado já foram pagos graças à arrecadação de uma promoção, conta Aleata Volponi Cabelo, presidente da entidade. “A primeira parcela do 13.º nós pagamos, mas agora não temos dinheiro para a segunda. Se não recebermos as parcelas que estão atrasadas, a alternativa será fazer uma arrecadação entre os colaboradores da creche”, diz.
O repasse devido pela prefeitura à entidade é de R$ 2,6 mil, o suficiente para cobrir a folha de pagamento. “A verba paga os salários, mas ainda temos água, luz, telefone e encargos trabalhistas. E nesta época, como todas as entidades estão passando por dificuldade, a concorrência nas promoções é grande”, frisa.
Após realizar várias promoções beneficentes, a Creche Antônio Pereira, localizada na Vila Alto Paraíso, e que atende mais de 100 crianças, também está na expectativa de receber os repasses atrasados e assim pagar o 13.º salário dos funcionários.
“Nos últimos meses fizemos dois bazares da pechincha, um festival de sonho e pegamos um bar para explorar em um baile. Mesmo assim, não temos R$ 6 mil para o 13.º e férias”, conta José Paulo de Tarcio Bufeli, presidente da entidade. Somando as duas parcelas atrasadas, a prefeitura deve à creche pouco mais de R$ 6 mil.
• Serviço
O chá beneficente da Creche Rainha da Paz será no domingo, às 14h, na sede da entidade, que fica na rua Halim Aidar, 3-14. O ingresso custa R$ 10,00.
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Alerta
A Associação das Entidades de Assistência e Promoção Social de Bauru alerta para o risco das instituições precisarem recorrer a empréstimos bancários para pagar as dívidas. “Se a prefeitura não pagar pelo menos duas parcelas neste ano (duas estão atrasadas e a terceira está para vencer), teremos dificuldades para honrar os compromissos. Já tem entidade procurando os bancos para fazer empréstimo”, diz Paulo Sérgio Canalli, presidente da associação.
Neste ano, graças à aprovação do repasse de 2% do orçamento municipal às entidades, a verba prevista para o setor é de R$ 2,9 milhões. Até 2003, as entidades recebiam 1% do orçamento. Porém, como as parcelas de outubro e novembro ainda não foram pagas, o orçamento das entidades acabou estourando.
Apesar dos atrasos, de acordo com as entidades consultadas pelo Jornal da Cidade, por enquanto não há prejuízo no atendimento. Isso porque a prefeitura repassa os alimentos para as refeições dos assistidos em espécie.