Tribuna do Leitor

Big Brother Bauru


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Um reality show em nossa cidade. O grupo de teatro da Escola Luiz Zuianni reapresentou o espetáculo premiado Holocausto e Holofotes. Um trabalho muito bom, com a participação de estudantes e professores além de alunos universitários do curso de Artes Cênicas. Fiquei impressionado, ou melhor, em estado de choque, quando me dei conta de que o estado de ânimo da platéia. Nos meus conceitos conservadores de uma platéia, ela deve estar em silêncio e compenetrada na “realidade” criada no palco, mas não foi esta a platéia que encontrei. Os próprios colegas de escola, numa atitude de zombaria e deboche, conversando, arrotando e assoviando, interferindo no texto, foi simplesmente deplorável. Aqui destaco a atuação exemplar do narrador, firme em seu texto e na expressividade que exigia, nitidamente decepcionado com a platéia, mas fiel ao jargão: - O espetáculo nunca pode parar. - Já pelo meio da peça, literalmente enojado com a postura da platéia e maravilhado com a postura dos atores (diga-se de passagem, com um profissionalismo sem par, visto que a maioria composta de amadores) dei-me conta de que o tempo passou. Envelheci. Preciso mudar o meu conceito de teatro para esta nova realidade de público. Ao final do espetáculo, com a platéia aplaudindo em pé, saí do teatro pensativo. Na porta, uma viatura de polícia, um pequeno alvoroço, uma funcionária do teatro nitidamente perturbada, e os comentários de que ela tentou conter o grupo de jovens que atrapalhavam o espetáculo e foi ameaçada. Mais uma “paulada” em minha consciência. Esta é a vida real, este é o tema do espetáculo Holocausto e Holofotes, a guerra interna e externa. Eu acabava de participar de um reality show, sem programação e sem propagandas comerciais. Aquela platéia verdadeiramente interagiu com o texto do espetáculo (infelizmente, sem consciência disso) e fez uma guerra. Percebi que o grupo de teatro fez com que o palco se estendesse até as portas de entrada do teatro. Parabéns ao elenco, em especial ao autor, diretor e ator Sérgio Santos, e parabéns à direção da escola Luiz Zuianni por incentivar o teatro, veículo maravilhoso de comunicação e educação. À platéia, meu lamento, mas também minha esperança de que, indo mais vezes ao teatro, se dêem conta de que “o homem é semente sem terra...” se não perceber a beleza de um sonho.

Edvaldo José Sant’ Anna, RG: 12.172.496-7, professor universitário e mestre em educação

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