Turismo

Montanha-russa na serra

Eliane Barbosa (colaboração Secom)
| Tempo de leitura: 5 min

A Estação de Ferro Santos-Jundiaí, que tem arquitetura inglesa vitoriana, nos moldes da Victoria Station, de Londres, também conhecida como Estação do Valongo, faz parte das obras de revitalização em Santos.

Todo seu entorno e edifício fizeram parte da primeira etapa do Projeto Alegra Centro. A parte interna do prédio apresenta três espaços distintos que abrigarão a Secretaria de Turismo, o Museu do Transporte e um restaurante, que será reinaugurado numa ala com requintado trabalho de serralharia.

A área traseira será destinada a um pavilhão de exposições e eventos culturais. Inicialmente, ele possuirá 800 m2, que no futuro serão ampliados para 3.800 m2.

Já o abrigo saliente da fachada, conhecido como alpendre, apóia-se em colunas de ferro e destina-se a proteger passageiros e bagagens da chuva e sol intensos.

A beleza da estação se completa com águas-furtadas com trepadeiras que dominam a cobertura e seu corpo central com uma torre com relógio e quatro leões nos cantos, símbolos do poder do império britânico.

A Estação do Valongo começou em 1860, dirigida pelo engenheiro inglês Daniel Fox. Constitue-se numa das maiores obras de engenharia ferroviária do mundo, por causa da inclinação da Serra do Mar e um trajeto de oito quilômetros que lembra uma montanha-russa em câmara lenta.

Esse percurso pela serra demorava 18 minutos para ser vencido, primeira etapa de uma viagem de três horas e 78 quilômetros até se chegar a Jundiaí.

Volta ao tempo

E por falar em trem, o projeto da Trem Turístico de Santos-São Paulo, elaborado para levar o público a um passeio de trem pela Serra do Mar, poderá começar a sair do papel este mês.

O Trem Turístico tem a intenção de resgatar a história dos imigrantes que foram trazidos para as fazendas de café do Interior de São Paulo, e representa um importante componente do processo de revitalização do Centro Histórico.

Dividido em três fases, o projeto começará pela recuperação de três vagões e um carro-restaurante, etapa orçada em R$ 400 mil, cujo valor já está na conta da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária.

A segunda etapa consumirá cerca de R$ 200 mil e consistirá na construção da estação para turistas.

Localizada ao lado direito da linha ferroviária (junto à Estação do Valongo), contará com espaços para embarque/desembarque, cafeteria, bilheteria, setor administrativo e dois sanitários.

A Prefeitura de Santos quer que o novo atrativo, sem data para a entrega, funcione aos sábados e domingos, com saídas da Estação da Luz, em São Paulo, e chegada à Estação do Valongo, em Santos.

A viagem deve durar duas horas em média, contar com acompanhamento de guia de turismo, tempo que permitirá aos turistas apreciar as belas paisagens da Serra do Mar, a Estação de Paranapiacaba e as construções inglesas de 1860.

Happy Hour na rua

Wall Street brasileira da década de 20, a rua XV de Novembro, de Santos, é outro marco da cidade que merece ser conferido pelos turistas.

A então rua Direita, abrigou no passado residências pertencentes à elite dos barões do café.

Uma placa na esquina com a rua do Comércio prova sua importância: “Esta quadra da rua XV é o termômetro da economia do café. Aqui se ajuda a construir a grandeza da Pátria”.

Hoje, embora o café não tenha mais a exclusividade das exportações, a praça continua sendo o ponto de comercialização do grão.

Mas o burburinho que ecoava pela rua foi transferido para os escritórios dos corredores que agora se comunicam pela internet.

À noite, a coisa muda de figura, graças ao projeto de revitalização iniciado em 1997: os bares e restaurantes mantêm-se abertos recebendo gente de todos os cantos em busca de lazer noturno.

A restauração de prédios como o da Construtora Phoenix - realizada no antigo Palácio da Banda Italiana Di Sconto - bem como o do Escritório de Advocacia Vicente Cascione, e principalmente o da Bolsa de Café, com sua Sala de Pregões e sua cafeteria - foram responsáveis por dar uma nova cara ao local, transformando-o numa nova atração turística da cidade.

Desde novembro de 2001 a praça é palco do projeto Música na XV, happy hour com música ao vivo realizado em todas as sextas-feiras.

Marco da fundação

O Outeiro de Santa Catarina, marco inicial da fundação da cidade, que abriga o prédio da Fundação Arquivo Memória de Santos, que mantém acervos fotográficos e de documentos, biblioteca, exposição de fotos e gravuras é outro ponto restaurado em Santos.

Construída sobre uma rocha, o outeiro tem três níveis de escadas que se acomodam à topografia do terreno, portas e janelas que lhe dão aspecto de castelo.

A história do outeiro, construído pelo médico João Éboli, que se inspirou em edificações medievais italianas, onde nasceu, confunde-se com a da cidade de Santos.

No século XVI, Luiz Góes e sua esposa, Catarina de Aguilar, ergueram a capela de Santa Catarina de Alexandria, na base do morro.

Em 1543, junto à ermida já funcionava a primeira Santa Casa.

Quando o corsário inglês Thomas Cavendish saqueou a vila (1591), a igreja foi destruída. Jogada no mar, a imagem da santa foi resgatada em 1663 e hoje está exposta no Museu de Arete Sacra.

Na mesma época, o padre Alexandre de Gusmão reconstruiu a igreja, dessa vez no alto do monte.

Mas o desbaste do morro para obtenção do aterro, destinado à construção do porto, resultou na demolição definitiva da capela.

Foi sobre a rocha restante que João Éboli mandou erguer, em 1800, sua casa acastelada.

Por muito tempo relegado ao abandono, o imóvel foi tombado e recuperado pela Prefeitura Municipal, em 1992.

Inserido no projeto de Revitalização do Centro Histórico, ganhou uma praça em 2000, resultado de parceria com a iniciativa privada.

A XV de Novembro faz parte também do roteiro por onde circula a bonde turístico de Santos, um veículo da década de 20 que teve o motor retificado e funciona com sistema elétrico que exigiu a instalação de 1.700 metros de trilhos e rede aérea.

Funciona nos feriados e de terça a domingo, das 11h às 17h, com partida da praça Mauá. O bilhete custa R$ 0,50 e o agendamento para grupos deve ser feito pelo telefone (13) 3219-9081.

• Serviço

O Expresso de Prata faz a linha Bauru-Santos.

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