Tapar buracos não é a solução
para os problemas das
ruas de Bauru. Essa é a opinião
do titular da Secretaria
Municipal das Administrações
Regionais (Sear), Arlindo
Figueiredo.
Ele explica que, como o asfalto
das ruas de Bauru está
vencido, muitas vezes prejudicando
inclusive a base utilizada
para pavimentação, que é
de pedras ou cimento, não
adianta tapar os buracos com
um pouco de massa asfáltica.
A melhor medida, segundo
o secretário, seria cobrir
as ruas com uma nova camada
de pavimento. A técnica
chama-se perfilagem. Em
ruas de tráfego intenso, o
ideal seria o recape.
Figueiredo alega, entretanto,
falta de verbas, maquinário
e funcionários para executar
o serviço. Confira, a seguir,
trechos da entrevista concedida
ao JC nos Bairros.
JC nos Bairros - Qual é a
avaliação que o senhor faz
da situação das ruas de Bauru
hoje?
Arlindo Figueiredo - Em
julho, foram consertadas 370
ruas de asfalto, sendo 820 quadras.
Em agosto, foram 339
quadras e 156 ruas. Em setembro,
140 ruas e 293 quadras.
Em outubro, foram 253 ruas e
638 quadras. Nós controlamos
mês a mês essa quantidade.
Nossa parte é muito problemática
porque as ruas de
Bauru estão coma vida útil já
vencida. Começa a afetar a infra-
estrutura. Neste caso, começam
a surgir buracos um
atrás do outro. Você conserta
um e aparecem dois ou três
porque já está vencido. A infra-
estrutura é a camada de
baixo, que é de cimento ou pedra.
O que tem problema é a
camada de asfalto. Mas não
se deve deixar afetar a infraestrutura.
Na maioria dos casos
de Bauru, já afetou e isso
provoca constantemente os
buracos.
JC - Oque teria de ser feito?
Figueiredo - Eu tenho um
ponto de vista. Eu sou contra
o tapa-buracos. A quantidade
de asfalto que se gasta com tapa-
buracos é enorme. É grande
demais. Eu sou mais da opinião
de fazer um perfilamento
quando começam a aparecer
as pedras da pavimentação. É
uma camada pequena de asfalto
que se coloca por cima. Fica
bonito e não tem problema
nenhum. No tapa-buraco,
além de tudo, fica aquele aspecto
feio. Fica aquela mancha
de conserto. Mas é um
mal necessário quando não se
tem estrutura. Há falta de máquinas.
A (Secretaria de)
Obras tem máquinas para fazer
o recape. E, para fazer a
perfilagem, nós (Sear) teríamos
que ter um conjunto de
máquinas idêntico ao que a
Obras tem. Esse é o grande
problema que existe para manter
as ruas sempre em ordem.
Talvez, o maior problema seja
que o orçamento de Bauru
é muito baixo. Não tem arrecadação
suficiente para manter.
Quem não gostaria de ter uma
cidade sempre limpa, bonitinha,
sem nenhum problema
de asfalto? Nenhum administrador
gostaria que fosse o
contrário. Nesse aspecto em
particular influi a arrecadação,
o orçamento. Ele limita o
poder público de realizar aquilo
que seria o ideal. O orçamento
de Paulínia é de R$
437 milhões. O de Jundiaí são
três vezes mais que o de Bauru.
Esse problema é que traz
as conseqüências.
JC - Com o dinheiro que
se gasta com operações de tapa-
buracos daria para fazer
as perfilagens necessárias?
Figueiredo - Daria sim. A
diferença seria pequena. Com
pouca coisa a mais e maquinários
daria para fazer as perfilagens.
Não tenho a menor dúvida.
Essa é a minha teoria. Fica
muito mais barato. Mas isso
não pode ser colocado em
ruas de grande movimento, de
tráfego pesado. Nestes casos,
teria de ser feito o recape mesmo.
Mas, na grande maioria
das ruas pode ser perfeitamente
feita a perfilagem somente.
Para manter conservada a pavimentação.
JC - Qual é a diferença
entre as duas técnicas?
Figueiredo - O princípio é
o mesmo. A diferença é a espessura
do asfalto. A espessura
média de um recape é de
quatro a cinco centímetros. A
perfilagem são dois centímetros
só.
JC - O problema que as
pessoas vêem é que logo após
a operação de tapa-buraco,
os buracos surgem novamente,
no mesmo local, e em tamanho
ainda maior...
Figueiredo - Quando a camada
asfáltica perde a impermeabilidade,
essa umidade
afeta a parte inferior. O
carro passa e o buraco vai
aumentando tanto na profundidade
quanto na largura.
São Pedro tem buracos, Piracicaba
tem buracos, Campinas
tem buracos. Em todos
os lugares há buracos. São
Paulo também tem seus problemas
graves.
JC - Então, como o senhor
avalia a situação das
ruas de Bauru hoje?
Figueiredo - Eu posso fazer
uma experiência de sair daqui
para qualquer direção e
contar a quantidade de buracos
que tem. Não é isso tudo
que falam. Existem ruas que
estão em péssimo estado?
Existem. É o caso, por exemplo,
do Bauru 2000. Ninguém
está falando que está bom.
Mas há certos problemas que
passam pelo econômico. É o caso
desta situação crítica que
a prefeitura está vivendo hoje.
JC - Qual é a programação
para este fim de mês?
Figueiredo - Não é uma
questão de programação. Nós
damos prioridade aos problemas
graves porque nós não temos
condições de resolver tudo
de uma vez só. Aqueles
problemas mais graves são
sempre resolvidos antes. Por
exemplo, ruas em que passam
ônibus recebem preferência.
Pode ter outra pior, mas o ônibus
é um bem coletivo então
isso tem que ser feito.
JC - O problema é mais
crítico em Bauru nas ruas de
terra ou nas de asfalto?
Figueiredo - Analisando
os números, hoje, eu chego à
conclusão de que a parte de asfalto
é mais preocupante do
que a parte de terra. Na Regional
Redentor estão os maiores
problemas em ruas de terra.
Em segundo lugar, vem a Regional
Bela Vista, que pega Jaraguá,
Santa Edwirges, aquela
parte. Mas isso porque o que
nós fizemos no ano passado
nunca foi feito em Bauru nas
ruas de terra. O tipo de serviço
de terraplanagem foi feito com
muito mais qualidade do que
anteriormente. Antes, o pessoal
tirava uma camada de terra para
nivelar a rua. Nós colocamos
camadas de terra usando também
caminhão-pipa e rolo-compressor.
Os prejuízos por não terem
feito isso antes foram enormes.
Gastava-se terra e ela era
facilmente levada pela chuva.
JC - O senhor acredita que
tudo o que poderia ser feito
nessa questão de buracos em
vias públicas foi realizado?
Figueiredo - Nos cinco governos
dos quais eu participei,
em todos eles eu saí com a minha
consciência tranqüila. E
saio deste nas mesmas condições.
A consciência para mim
é muito importante. E eu tenho
essa consciência tranqüila.
Não deu para fazer aquilo que
eu desejaria fazer, mas fiz aquilo
que me foi possível fazer.
Defesa Civil
Além das dificuldades
que os moradores já enfrentam
atualmente em virtude
dos buracos, existe
um agravante: as chuvas e
a grandepossibilidade de
que elas contribuam para o
aumento dos tamanhos e
da quantidade de erosões
nas ruas da cidade.
De acordo com o coordenador
da Defesa Civil
de Bauru, Álvaro de Brito,
o período de chuvas de
Bauru começa em meados
de dezembro e é longo - estende-
se até abril. “São cerca
de quatro meses. Se fossem
25, 30, 40 dias, passaria
rápido. Em quatro meses,
a prefeitura não consegue fazer
nada de obras por causa
da chuva”, diz.
O ideal, segundo Brito, seria
que a adminitração municipal
terminasse o mês de dezembro
com as ruas em boas
condições.
“A tendência é de que os
buracos aumentem e poderão
surgir novos. A não ser que a
prefeitura conseguisse arrumar
isso antes, o que é humanamente
impossível. Então,
os buracos que já existem serão
agravados. Tanto os que
estão em ruas de terra quanto
os que estão em ruas de asfalto”,
expõe o coordenador
da Defesa Civil.
Ele frisa que em muitas
ruas de asfalto, o tapa-buracos
não funciona mais.
“Tem ruas em que não se
admite mais o remendo. Teria
que recapear. O tapa-buracos,
nesses casos, são medidas
emergenciais”, frisa.
Quanto aos problemas
em ruas de terra, Brito cita
bairros que passam por isso
anualmente como Parque
Santa Cândida, Núcleo Leão
13, Parque Roosevelt, Jardim
Tangarás, entre outros.
“A periferia toda está ruim.
É só escolher”, diz.