A psicóloga Marcela (nome fictício) foi impedida de freqüentar uma academia de Bauru, há alguns meses, após se matricular no estabelecimento com seu nome masculino e documentos originais. Ela procurou a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados de Bauru (OAB) de Bauru e atualmente move um processo contra a empresa por danos morais. Por orientação de seu advogado, ela pediu para não ter seu nome divulgado.
Marcela conta que fez sua matrícula, pagou o valor estabelecido e freqüentou a academia por dois dias. “No terceiro dia, não me deixaram entrar. Me chamaram num canto, na entrada, e todo mundo que passava ficava olhando para mim, vendo que tinha alguma coisa errada acontecendo. Foi muito constragendor”, relata.
Segundo ela, até mesmo o instrutor que lhe orientara nos dias anteriores sabia da sua condição transexual. O motivo alegado pela direção da academia para sua expulsão foi a utilização do banheiro feminino, sendo que ela estava matriculada com nome de homem. “Não escondo de ninguém, uso meus documentos oficiais. Mas poucas pessoas me olham, eu naturalmente vou aos banheiros femininos. Eu até argumentei que poderia não usar o banheiro, já que saio pronta de casa, mas não teve negociação, eles me disseram que a decisão já estava tomada”, diz.
Marcela procurou a Polícia Civil, para registrar um boletim de ocorrência e depois entrou em contato com a Comissão de Direitos Humanos da OAB. Gilberto Truijo, que é coordenador da comissão, comenta que ela é a primeira vítima de crime de preconceito sexual a procurar o grupo neste ano. “A comissão atua na questão de todos os preconceitos, de raça, opção sexual e também para com os deficientes físicos”, explica.
De acordo com Truijo, a função da comissão é registrar as ocorrências de discriminação, orientar e encaminhar as vítimas para um advogado ou a Procuradoria de Assistência Judiciária, que nomeia um profissional para tomar as devidas providências contra a pessoa ou instituição que praticou o ato de preconceito.
Serviço
Mais informações e denúncias para a Comissão de Direitos Humanos da OAB pelo telefone (14) 3227-3636.