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Bauru preserva árvores-do-dinheiro

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Dinheiro pode não dar em árvore, porém isso não significa que Bauru não possa contar com alguns dos raros exemplares da árvore flor-de-abril (Dillenia indica), que é popularmente conhecida como árvore-do-dinheiro. Originária da Índia, a curiosa espécie pode ser vista no canteiro entre a avenida Nações Unidas e a quadra 5 da rua Saint Martin e na quadra 17 da rua Ezequiel Ramos, entre outros locais.

Também conhecida como dilênia, a árvore pode alcançar até 30 metros de altura, formando uma copa abundante e com folhas que medem de 15 a 20 centímetros. Ela pode ser melhor identificada por seus frutos grandes, em formato esférico e que chegam a atingir 20 centímetros de diâmetro.

É justamente em razão dos frutos que a espécie ganhou no Brasil o nome de árvore-do-dinheiro. De acordo com o site Jardim das Flores (www.jardimdas flores.com.br), ela foi introduzida no País por imigrantes portugueses e usada inicialmente para arborização das ruas. Na época, as pessoas acreditavam que os grandes frutos simbolizavam a fartura, e introduziam moedas dentro deles, ainda pequenos, para que a natureza fizesse seu trabalho.

Os frutos se recompunham, cresciam e quando eram colhidos, surpreendentemente traziam moedas em seu interior. Muitos imigrantes enviavam os frutos maduros para Portugal, para brincar que, no Brasil, o dinheiro dava em árvores.

Os frutos da árvore-do-dinheiro, na verdade, são sépalas muito desenvolvidas que escondem o fruto, muito menor, em seu interior. O suco ácido dessas sépalas é usado como tempero, bebida e xarope peitoral na Índia. As folhas ainda são usadas como lixa para polir madeira.

A residência do casal Miraci Luiza Silva Ávila e Carlos Ávila Rodrigues fica em frente a uma dilênia, na rua Ezequiel Ramos, mas eles não conheciam a espécie por seu nome popular. No entanto, Miraci afirma que os frutos têm propriedades medicinais.

“É um santo remédio, já fiz testes. Você pega o interior do fruto, pica e coloca no álcool. O líquido fica ótimo para passar em locais doloridos, onde você leva uma pancada. Ele anestesia”, comenta.

Por outro lado, Rodrigues comenta que a grande sombra da árvore é convidativa para estacionar veículos, mas traiçoeira. “Não pode parar carro ali embaixo, senão pode cair uma fruta dessa e até amassar. Nosso carro já foi amassado”, relata.

O biólogo Osmar Cavassan, que é professor de ecologia vegetal da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), confirma que a dilênia não é nativa da região de Bauru. Ele alerta ainda para o uso da fruta com fins medicinais sem orientação de um profissional. “O uso popular da planta tem uma série de riscos. É preciso saber que aquela é realmente a planta indicada e se o mal-estar também é o que se pensa”, diz.

Segundo Cavassan, a concentração do princípio ativo de um vegetal também pode se alterar, dependendo das condições, e que sua extração também requer técnicas corretas. “Para que o uso possa ser eficiente, tem de coincidir a planta certa, o diagnóstico, a extração, preparação e administração corretos. Sem o acompanhamento de um profissional, o risco de errar é maior do que de acertar, pois ela pode até conter substâncias tóxicas”, finaliza.

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