A dona de casa Aparecida Ortunes Portilho, moradora de Pirajuí, já sentiu na própria pele como é passar o Natal sem ganhar um brinquedo. Por isso, ela faz campanhas o ano todo para garantir brinquedos e alimentos para quem não tem. Com lágrimas nos olhos, ela relembra da sua infância. “Eu fui uma criança que nunca teve uma boneca. Aliás, nunca tive um brinquedo.”
O pai de Aparecida teve 26 filhos e não tinha condições de presenteá-los no Natal. “Ele casou duas vezes. Éramos uma família pobre.”
A experiência vivida na infância marcou a vida da dona de casa, que logo que teve oportunidade realizou o sonho de ajudar os menos favorecidos. “Depois que eu casei, passei a ter uma situação financeira melhor e comecei a ajudar as famílias pobres. Eu comprova brinquedos baratos e distribuía no Natal.”
O número de crianças necessitadas aumentou e a dona de casa não perdeu a esperança de continuar o trabalho, iniciado há mais de 30 anos. “Como eu sei bordar, passei a bordar toalhas, durante o ano. Da venda só retiro o custo e guardo o lucro. No final do ano tenho sempre uma certa quantia para comprar alimentos e brinquedos.”
Sempre que tem oportunidade, dona Aparecida, como é chamada, arrecada algum dinheiro para guardar para o Natal dos pobres. “Este ano, a turma da terceira idade pediu para eu ir ensinar a bordar. Eu fui. Cada uma das 30 alunas levou um quilo de alimento. Teve aluna que levou até mais de um quilo”, comenta entusiasmada.
Outra turma que ajuda a dona de casa é a que reza o terço todo mês. “Elas trazem um quilo de alimento. No final do ano, elas trazem mais de um quilo, porque sabem que eu tenho mais famílias para atender.” Dona Aparecida distribui alimentos o ano todo.
Quando as doações chegam em forma de farinha de trigo, dona Aparecida faz pão. “Às vezes ganho muita farinha. Doar só a farinha não faz sentido. Eu compro o fermento e faço o pão para distribuir.”
Mamãe Noel
O trabalho voluntário de dona Aparecida lhe garantiu o título de Mamãe Noel. “Tenho a fantasia e todo ano vou no asilo, na Apae e na festa da prefeitura entregar os presentes. Faço isso há 25 anos.”
Para os idosos, ela reserva uma toalhinha bordada para as mulheres e lenços para os homens. “Eles são como crianças. Adoram receber presentes. Eles ficam alegres, batem palmas para o Papai Noel.”
Quando entrega presentes para as crianças, a dona de casa fica angustiada com medo que o presenteado não goste do que vai receber. “Uma vez eu fui entregar um presente simples e a criança queria uma bicicleta. Eu não tinha para dar e ela ficou desapontada. Lembro até hoje da decepção estampada no rosto dela.”
Serviço
Quem quiser ajudar dona Aparecida com alimentos não-perecíveis ou brinquedos novos pode ligar para (14) 3572-1585.