Das sete instituições de ensino superior instaladas em Bauru, quatro terão cursos que serão avaliados pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) em 2005. O Ministério da Educação (MEC) divulgou anteontem a lista com os 13 cursos (veja quadro ao lado) que participarão em junho da segunda edição do processo. Destes, apenas um, o de ciências sociais, não é oferecido em Bauru.
Como na edição deste ano, o Enade 2005 será feito por amostragem e aplicado apenas para parte dos alunos. Consultada, a assessoria de imprensa do MEC não informou o percentual de alunos que será avaliado - a definição será por sorteio. Também serão avaliados alunos do primeiro e do último ano de cada curso. A participação no Enade, para os alunos que serão sorteados, é obrigatória, sendo que os faltantes que não justificarem a ausência ficarão impedidos de pegar seu diploma.
Até o dia 21 de fevereiro de 2005, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão vinculado ao MEC e responsável pelo Enade, enviará para as instituições de educação superior as instruções e os instrumentos necessários ao cadastramento eletrônico dos estudantes habilitados ao exame.
As instituições, que são responsáveis pela inscrição de todos os estudantes habilitados ao Enade, deverão devolver ao Inep a relação dos inscritos até o dia 3 de abril. O Inep divulgará a lista dos alunos selecionados pelo sorteio para participação no exame até o dia 23 de maio de 2005 e os respectivos locais onde serão aplicadas as provas até o dia 10 de junho de 2005.
Para Gesiane Monteiro Folkis, secretária-geral da Universidade do Sagrado Coração (USC), instituição da cidade com o maior número (nove) de cursos participantes do Enade-2005, elogia o sistema, mesmo reconhecendo que a avaliação por amostragem não é a ideal. “Melhor seria se todos participassem, mas com tantos cursos e tantos alunos, seria impraticável aplicar a prova a todo este universo”, diz
Para Folkis, a decisão de aplicar o Enade aos alunos do primeiro ano também é válida pois permite às instituições avaliar se seus métodos estão adequados. “Com isso, podemos saber o que não funciona bem e o que pode ser melhorado em cada curso. Além disso, a sociedade toma conhecimento do que se passa dentro das escolas”, destaca.
Boicote inócuo
A coordenadora do curso de matemática da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Mara Sueli Simão, não teme um eventual movimento de boicote ao sistema de avaliação proposto pelo governo. Na Unesp, segunda instituição de ensino de Bauru com mais cursos no Enade-2005 (oito), a prática é comum desde os tempos em que o sistema era chamado de Provão e aplicado para a totalidade dos alunos.
Por discordar dos critérios de avaliação, muitos alunos, principalmente das instituições públicas de ensino superior, participam das provas porque são obrigados, mas não respondem às questões. Em 2003, por exemplo, estudantes de matemática, jornalismo, psicologia e arquitetura da Unesp de Bauru fizeram campanha de boicote à prova e os cursos acabaram com conceito E, o pior de todos.
Simão destaca que essa baixa conceituação oficial não afetou o curso de matemática pois, segundo ela, os alunos formados em Bauru têm conseguido bom desempenho nos concursos para ingresso no serviço público (estadual e municipal) de ensino. “A Unesp é uma instituição de renome e por isso um eventual boicote não acarreta problemas”, diz.
Para a coordenadora do curso, porém, os objetivos gerais do Enade são bastante positivos. Simão lembra, no entanto, que a coordenação do curso, que passa por uma reestruturação, ainda não debateu o tema com profundidade. “Esta é avaliação otimista do Enade é pessoal e apenas uma primeira impressão que tive do sistema”, ressalta Simão.