Voltaire, pensador iluminista, há mais de 200 anos apregoava a relevância da solidariedade por meio da frase: “Todo homem é culpado do bem que não fez”. Ser solidário é interessar-se pela causa alheia, é sensibilizar-se frente às necessidades do outro. Um desafio, portanto, para os indivíduos da sociedade, que privilegiam o ego (eu) em detrimento do alter (outro).
É fato que o capitalismo, sistema de mercado vigente, estimula o egoísmo. O espírito capitalista idolatra o narcisismo e torna as pessoas mais competitivas, menos solidárias, mais insensíveis às questões sociais e indiferentes à miséria. Em vez de alteridade, há o individualismo.
Dentro desse solipsismo (crença filosófica de que, além de nós, só existem as nossas experiências), torna-se anacrônica a atitude daquele que se preocupa com o outro. No entanto, no momento em que a barreira do egoísmo é transposta, a ação solidária se configura como essencial para amainar as desigualdades sociais, tão disseminadas pelo País.
Porque o homem não é um ser solitário e “con.vive” com as pessoas, seus atos comprometem os que o cercam. A responsabilidade social é característica do cidadão ético, na medida em que os valores morais determinam a importância do outro nas relações intersubjetivas e a conseqüente construção de uma sociedade menos desigual. Afinal, nem tudo se esvaiu da Caixa de Pandora. (Francine Nunes - vestibulanda de medicina - RG 28.699.794-0)