Botucatu - Uma parceria entre a Caio, de Botucatu (100 quilômetros a sudeste de Bauru), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Eletra, de São Bernardo do Campo, será a responsável pela construção do primeiro ônibus híbrido movido a hidrogênio do País.
O contrato entre as partes foi assinado anteontem no Rio de Janeiro. Pelo acordo, a UFRJ e a Eletra terão de desenvolver a célula de combustível que fará funcionar o veículo, o formato do chassi e toda parte mecânica. Depois de tudo definido, a Caio dará sua contribuição executando o “encarroçamento” do protótipo.
A Caio terá um prazo até julho de 2006 para entregar o veículo pronto. O diretor da empresa, Maurício Cunha, ainda não sabe qual o valor que deverá ser gasto no projeto. Mas fazendo comparações com outras experiências que a empresa teve com ônibus híbridos (que usam mais de uma fonte de energia), ele arrisca um palpite: “Acredito que deve ficar de 70% a 80% mais caro do que uma carroceria normal.”
A principal vantagem do ônibus movido a hidrogênio é a baixa emissão de poluentes. O único resíduo produzido pelo veículo é o vapor d’água. Além disso, ele é projetado para ser silencioso.
No Exterior, estima-se que existam atualmente cerca de 80 ônibus movidos a hidrogênio. Todos em fase experimental. Os países que mais têm investido nessa tecnologia são a Alemanha, Suécia e Estados Unidos.
Além da questão ambiental, o diretor da Caio aponta outra vantagem do motor a hidrogênio. “Ele não depende do petróleo para funcionar.” Numa época em que o produto passa por um declínio em sua produção mundial e por seguidos aumentos de preço, as alternativas sempre são bem-vindas.
Por ser um projeto financiado com dinheiro público de uma universidade carioca (a UFRJ), o primeiro Estado a utilizar esse tipo de veículo será o Rio de Janeiro.
Segundo Cunha, foi a universidade que entrou em contato com a Caio propondo a parceria. Esse interesse teria sido motivado pelo histórico da Caio na produção de ônibus híbrido. Este ano, a empresa entregou dez unidades para a Eletra, que também desenvolve tecnologia em tração híbrida, que são movidas a diesel e eletricidade.
O hidrogênio não existe em estado puro na natureza. Ele pode ser obtido por meio de reações sustentáveis, feitas a partir da água, da palha de arroz ou bagaço de cana. Também pode ser obtido a partir do gás natural.
O ônibus é dotado de pilhas combustíveis, que, ao ser alimentadas com hidrogênio, produzem eletricidade e vapor d’água. O veículo também é dotado de baterias, alimentadas continuamente pela energia elétrica gerada por reação química. O ônibus tem autonomia para rodar 300 quilômetros - distância similar à dos ônibus convencionais.