Gastando pouco, é possível aumentar significativamente o valor de um imóvel e evitar que ele tenha sérios problemas de estrutura. Detalhes como pintura nova e troca de peças quebradas fazem a diferença na hora de alugar ou vender uma casa ou apartamento.
Um dos principais focos da atenção do proprietário da casa deve ser as instalações hidráulicas, que demandam revisão constante.
“Problema de água é terrível. Às vezes, a pessoa vê um vazamento pequeno e acha que não é nada. Mas, se a pessoa não tomar cuidado, isso derruba a casa”, diz José Martinho Teixeira da Silva, presidente da Associação das Administradoras e Corretoras de Imóveis de Bauru (Aciba).
Por esse motivo, quando vazamentos forem detectados, eles devem ser rapidamente reparados para evitar problemas maiores.
Os rejuntes de pisos devem estar sempre perfeitos porque trincas podem provocar infiltração de água. A água, por sua vez, carrega o solo que está sob a casa, comprometendo a estrutura. As conseqüências iniciais são trincas nas paredes do imóvel. Entretanto, pode haver até afundamento de piso.
“Às vezes, no piso externo, a pessoa não faz a junção das peças bem feita. Com a chuva, podem surgir infiltrações. É um problema grave porque corrói aos poucos o subsolo. O contrapiso é feito com bastante concreto e as pessoas não percebem. Chega ao ponto de formar uma cratera sob o contrapiso. Eu já vi afundar um banheiro porque a água vai corroendo”, diz Martinho.
Outro aspecto importante são as instalações elétricas. “A fiação não pode ser muito antiga porque isso pode gerar curtos e queimar aparelhos domésticos ou até mesmo provocar incêndios”, destaca Elisabete Gasparim Guedes, proprietária de uma imobiliária localizada no Centro.
“Para manter um imóvel valorizado, é preciso conservá-lo. Para essa conservação, o proprietário deve estar atento para sinais de desgastes no imóvel, como fiação e encanamentos”, acrescenta.
De acordo com Vânia Porto, que também trabalha no ramo imobiliário, a aparência é fundamental na valorização de uma edificação. “O proprietário precisa manter o imóvel em perfeito estado de conservação. Tem de estar sempre funcionando tudo - banheiro, válvulas, cozinha. Aparte básica tem de estar 100%”, observa.
“Depois, para valorizar mais ainda, é necessário manter o imóvel pintado, com boa aparência e limpo. O jardim tem de estar bem cuidado e a piscina limpa. Vai valorizar e o proprietário vai vender ou alugar mais rapidamente”, enfatiza.
Na opinião de Vânia, a conservação conta mais pontos do que eventuais reformas na casa. “Depende da reforma. Se é para embelezar, pode ajudar. Garagem, por exemplo, valoriza. Mas, no contexto geral, não é a reforma em si que vai valorizar. É a conservação”, reforça.
Segundo Martinho, a pintura é um dos principais aspectos da conservação. “A pintura externa deve ser feita a cada três anos. Interna, pode ter um intervalo maior”, sugere.
Para Claudinéia Viana, proprietária de uma imobiliária localizada na avenida Duque de Caxias, a manutenção da pintura é importante porque dá ao imóvel aparência de novo. “Se a pintura estiver antiga, a casa tem um valor. Se estiver nova, a diferença é grande”, afirma.
Ela cita também acabamento interno em gesso e paredes texturizadas. “Valoriza o imóvel. Gesso internamente é uma coisa barata e que dá uma aparência melhor. Se o proprietário tiver condições, é interessante também colocar armário embutido e investir em segurança - cerca elétrica, alarme etc”, diz.
Quando a casa está desocupada, ela deve receber um tratamento especial. Além de visitas periódicas para tentar evitar invasões e roubos de fiação, por exemplo, é importante manter a casa limpa.
“O ideal é contatar uma faxineira para limpar a casa periodicamente enquanto ela está desocupada. O pessoal joga muito panfleto e o mato do jardim cresce. Além disso, a ventilação ajuda a conservar a casa. Casa muito fechada cheira mal. É bom também sempre dar descarga no banheiro e abrir as torneiras das pias”, alerta.
Segundo Claudinéia, com pouco gasto é possível valorizar significativamente um imóvel. Ela afirma que se o proprietário gastar R$ 1.000,00 com pintura e troca de pisos, por exemplo, ele pode valorizar a casa em até R$ 5 mil.
“Sempre vai valorizar. É claro que depende do imóvel, mas vale a pena. A não ser que a casa esteja num lugar ruim. Neste caso, não adianta investir muito”, expõe.
De acordo com Vicente Leme, que atua no ramo imobiliário, cuidar de um imóvel e evitar sua depreciação é uma tarefa trabalhosa. Entretanto, se as revisões e eventuais reparos forem feitos periodicamente, os gastos e as preocupações certamente serão menores.
“Por ano, o proprietário tem de reservar um certo valor para fazer a manutenção do seu imóvel. Porque, se ficar para depois, com o problema mais agravado, o conserto fica mais caro”, frisa.
Leme explica que um problema pode levar a outro, quando não é solucionado rapidamente. Uma trinca, por exemplo, pode provocar o rompimento dos encanamentos de esgoto. Uma calha entupida pode estragar o gesso das paredes internas, a pintura do forro, apodrecer o madeiramento e danificar o sistema elétrico, numa reação em cadeia.
“Por isso, tem que verificar se não tem vazamento na caixa de inspeção, se as calhas não estão entupidas ou apodrecidas, se tem telhas quebradas, se a parte elétrica está funcionando direito, se não tem trincas no quintal etc”, salienta.
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Inquilinos X Proprietários
A manutenção da casa, muitas vezes, passa pela negociação entre inquilinos e proprietários, quando o imóvel está alugado.
Em alguns casos de problemas como vazamentos, danos às instalações elétricas ou quebras de peças, cria-se uma situação de empurra- empurra entre inquilinos e proprietários para chegar à conclusão de quem é o responsável pelo reparo.
Na teoria, o imóvel tem de ser devolvido nas mesmas condições em que foi entregue ao inquilino. Entretanto, a prática não é tão simples assim.
“É um problema porque a manutenção é uma das questões mais importantes na relação. Se o imóvel for entregue em boas condições, sem defeitos, você tem mais condições de devolver da mesma forma. Mas, se ele já tem defeitos, eles podem se agravar durante a locação – principalmente infiltração de telhado e umidade na base da parede. Aí fica a discussão sobre quem é o responsável”, expõe Vicente Leme, que trabalha no ramo imobiliário.
De praxe, o que se costuma adotar em contratos de locação de imóvel é que a manutenção estrutural - telhados, infiltrações provocadas por danos no encanamento etc - é de responsabilidade do locador. Já os reparos referentes a desgaste provocados por uso, como quebra de válvula de descarga, cabem ao inquilino.
“Se há vazamento interno, a culpa não é do inquilino. Então, o proprietário se responsabiliza e paga. Se a torneira quebra, é problema de uso e a responsabilidade é do inquilino. Mas, às vezes, um quer jogar para o outro. A gente tenta da melhor maneira possível conversar e explicar o que cabe a cada um”, observa Claudinéia Viana, proprietária de uma imobiliária de Bauru.
O que recomenda-se aos proprietários, em geral, é que acompanhem os reparos feitos em seus imóveis, ainda que estejam sob responsabilidade do inquilino, e que priorizem a manutenção.
“Na maioria das vezes, os proprietários são bem conscientes da importância da manutenção”, diz Claudinéia.