Polícia

Polícia soluciona 60% dos homicídios

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 4 min

Um balanço elaborado pela Polícia Civil de Bauru revela que a maioria (60%) dos casos de homicídios registrada em Bauru neste ano - até novembro - foi solucionada. Segundo levantamento da Delegacia Seccional de Bauru, até o mês passado a cidade registrou 45 casos de homicídio, sendo que 27 já receberam o carimbo de “esclarecido”, ou seja, possuem autor identificado e preso, além de elementos suficientes para amparar o julgamento pela Justiça. Com isso, 18 casos ainda são considerados “abertos” e com investigação em andamento.

O número de homicídios divulgado pela Polícia Civil difere dos anunciados pelo Jornal da Cidade - 58 crimes até novembro - por uma diferença na metodologia da pesquisa: enquanto o JC contabiliza todo tipo de morte com emprego de violência, a polícia possui classificações diferentes para crimes como latrocínio (roubo seguido de morte) ou tentativa de homicídio e lesão corporal seguidas de mortes (situações em que a vítima não morre no momento do crime).

O índice de 60% de casos solucionados foi classificado como “excelente” tanto pelo delegado seccional Antônio Ângelo Ciocca, responsável pelo levantamento, quanto pelo titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J. Cardia. “Esse nível de resolutividade dos homicídios é muito bom, até porque muitos dos casos ainda considerados ‘abertos’ já possuem fortes indícios de autoria e podem ser esclarecidos a qualquer momento”, afirma Ciocca.

Cardia confirma as estimativas de Ciocca e informa, com base na análise individualizada dos casos sem solução, que exatamente a metade deles (nove) já possue suspeito identificado. Em algumas destas situações, o titular da DIG já considera o caso como “resolvido”, inclusive com a prisão temporária do suspeito decretada.

“Há crimes já esclarecidos, dependendo apenas do cumprimento do mandado de prisão para considerarmos o caso totalmente encerrado”, diz Cardia. Para efeitos estatísticos, porém, um suspeito foragido ou que tenha negado a autoria do crime ainda mantém o caso na condição de não resolvido.

Uma outra situação curiosa - um suspeito de homicídio que morreu vítima do mesmo crime - reforça um dado marcante do levantamento da Seccional: 87% das vítimas de homicídio até novembro na cidade já possuíam algum antecedente criminal.

“Há muita rivalidade entre grupos de criminosos na disputa pelos ‘mercados’ do crime, principalmente os relacionados com o tráfico e a comercialização de entorpecentes”, diz Ciocca. Cardia ressalta que, em praticamente 90% das ocorrências de homicídio, vítima ou autor possuem envolvimento com as drogas.

Investigação insistente

O titular da DIG ressalta que mesmo os casos mais antigos e ainda sem solução permanecem como alvo de investigações. Cardia lembra que suas equipes já chegaram a solucionar um crime cometido há mais de cinco anos. “Não priorizamos determinadas ocorrências. Investigamos todas, indistintamente. Os casos não esclarecidos jamais são arquivados”, garante o policial.

Cardia explica que, diante da complexidade de algumas ocorrências, o trabalho de investigação depende de procedimentos demorados, como consultas a outros órgãos públicos, estudo de laudos e entrevistas e até infiltração de policiais em ambientes onde possíveis suspeitos possam circular. “Levantando novos indícios ou pistas, podemos dar continuidade a investigações que podem parecer estagnadas”, esclarece.

Uma outra situação que poderia, em princípio, indicar o fim das investigações - suspeito se entrega, por exemplo -, também não determina o fim dos trabalhos dos policiais. Segundo Cardia, há muitos casos em que, acuado pelas investigações, pessoas se apresentam com advogados e até com a suposta arma do crime para assumir a autoria de crime. Nesta situação, garante Cardia, o trabalho da polícia não pára. “Precisamos levantar se aquelas informações são realmente verdadeiras”, justifica.

Novas equipes

O delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J. Cardia, não revela o atual efetivo de policiais à sua disposição, segundo ele por questões de segurança, mas admite que necessitaria de montar novas equipes para agilizar os trabalhos de investigação na cidade. A DIG também possui o Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), o que amplia o rol de crimes investigados pela unidade.

O delegado acredita que já em janeiro a situação poderá ser amenizada, com a chegada de uma nova turma de investigadores que será contratada. Cardia adianta que as novas equipes da DIG/Garra serão “mescladas” entre os novos policiais e os mais experientes. Além da formação profissional, Cardia diz que, para ser um bom investigador, o policial precisa ter vocação para a função.

“Já comandei homens com formação excelente, mas que não desempenhavam a contento os trabalhos de investigação”, diz. Há 42 anos na polícia, J.J. Cardia diz que a investigação exige tino policial e dedicação ao serviço. “Já poderia ter me aposentado, mas isso nem sequer passa pela minha cabeça. Gosto do que faço. A investigação é a minha vida”, conclui. (SP)

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