Pipa, futebol, bete, bicicleta, esconde-esconde, pega- pega, boneca, carrinho etc. O dia todo. Crianças nas ruas, brincadeiras, gargalhadas. É tempo de férias escolares nos bairros de Bauru.
Engana-se quem pensa que os meses de dezembro e janeiro representam mudanças apenas no cotidiano de crianças e jovens estudantes de escolas particulares, municipais e estaduais que já estão em férias em Bauru.
Esse período de descanso tem reflexos diretos ou indiretos na rotina de pais, parentes, vizinhos e da comunidade dos bairros em geral.
O primeiro sintoma vem das ruas, que ganham um movimento bastante intenso e além do usual. Ficam repletas de crianças e seus respectivos pais ou responsáveis, preocupados com a segurança dos menores.
Para alguns moradores, o cenário é motivo de alegria. “É muita alegria por parte das crianças. Deixando a buraqueira de lado, o restante é festa. A diferença são os gritos de criança e as brincadeiras daqui e dali”, observa Diva Dias, presidente da Associação de Moradores do Jardim Solange.
Para outros, a “festa” da criançada é motivo de aborrecimento. É o caso de Maria Aparecida Lopes Filho, moradora do Jardim Ivone.
“Ninguém tem sossego. A rua fica barulhenta, sai briga. Eu prefiro quando tem aula porque quando eles estão em casa eles dão trabalho. Eu, por exemplo, tenho dois filhos pequenos. Em casa, eles dão trabalho porque eles não páram. Brigam um com o outro”, conta.
Maria garante que as diferenças entre o período escolar e as férias são sensíveis no bairro em que mora. “Diferente quando as crianças estão em férias. A criançada fica toda na rua brincando, soltando papagaio, pipa e jogando bola. É diferente de quando eles estão em aula porque eles chegam à noite ficam dentro de casa assistindo à televisão. Nem saem para a rua. Mas, quando estão em férias, fica todo mundo na rua”, compara.
A operadora de caixa Sandra Regina Guinda, moradora da Vila Dutra, também sente-se um pouco incomodada, embora tenha uma filha de quatro anos.
“Tem um pessoal que fica gritando até as 22h na rua, jogando bete. Eu acho que incomoda um pouquinho devido ao horário”, diz.
“Molecada brincando não é sempre que incomoda. Mas até um certo horário. Passando das 21h, eu acho muito para ficar na rua. Fica um pouco tarde. E faz barulho, incomoda. Você está assistindo à televisão e eles estão gritando. É que no bairro não tem um lugar iluminado para eles, em que eles não incomodem. Falta lugar para as crianças”, acrescenta.
Sandra conta que sua filha só sai à rua para brincar se estiver acompanhada de algum parente. “Na rua de casa passa ônibus e eu acho perigoso. Tem que ter alguém disponível para ir lá fora com ela”, destaca.
Carlos Roberto Figueiredo, presidente da Associação de Moradores da Pousada da Esperança, afirma que as mães do bairro cobram equipamentos públicos de lazer e esportes para que seus filhos possam se divertir de forma segura durante as férias e para que os pais fiquem tranqüilos.
“O principal mesmo é que não tem nada para divertimento das crianças. Eles entram em férias e ficam socados dentro de casa ou empinando pipa. Não tem área de lazer, não tem nada”, salienta.
“As mães encontram dificuldade. As que trabalham, às vezes têm de pagar outra pessoa para cuidar das crianças, mesmo ganhando pouco. Aqui na Pousada está bem ruim. Muitas mães vêm falar comigo sobre a necessidade de arrumar atividades para ocupar o tempo das crianças”, reforça o presidente da associação.
Em bairros carentes de infra- estrutura, uma das principais alternativas de lazer para crianças e jovens das comunidades é o Programa Escola da Família, desenvolvido em 49 escolas estaduais de Bauru.
O problema é que, durante as férias, período em que as crianças usufruiriam bastante do programa, as escolas estaduais ficarão fechadas por quase um mês. A informação é da dirigente regional de ensino, Vera Jarussi.