Bauru está sob nova administração, democraticamente eleita pela sua população. O prefeito eleito Tuga Angerami é o fiel depositário das esperanças de uma comunidade frustrada com a gestão cessante. Possuidor de um invejável currículo político (vice-prefeito eleito e em seguida prefeito e duas vezes eleito deputado federal), ao se eleger toma para si desafios hercúleos, talvez até acima da capacidade de um político normal. Arrisca-se, assim, a ser lembrado no futuro como o homem que tirou Bauru do buraco, ou então a ser apenas mais um que passou pela prefeitura e criou mais problemas aos já existentes, deixando bem menos brilhante sua passagem pela vida pública. Os passivos administrativos, financeiros e jurídicos são arrepiantes, apavorantes e até desesperadores. Apenas para lembrar algumas cenas: 1) ruas esburacadas; 2) praças e ruas tomadas pelo mato; 3) caixa sem dinheiro para pagar o salário de dezembro dos funcionários; 4) sem crédito para tomar empréstimo para obras na CEF; 5) repasses de recursos seqüestrados pela Justiça para pagamento de precatórios; 6) endividamento equivalente ao orçamento de 2005; 7) descumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Promotoria do Meio Ambiente para tratamento de esgotos desde 06/2004, com multa diária de R$ 12 mil; 8) descumprimento do TAC com a Promotoria do Meio Ambiente para combate à enchentes e erosões, com multa diária de R$ 1.000,00, desde abril de 2004; 9) saldo do caixa é zero ou próximo disto. É certo que a realidade da Bauru de 2005 é bem diferente da de 1983 e para pior, bem pior. A experiência e o aprendizado acumulados pelo Tuga neste período poderão ajudá-lo a superar os desafios de 2005. Sua missão de gerir a cidade chega a ser messiânica, tal o caos em que se encontra. Lembrando o jornalista Zarcillo Barbosa em um de seus artigos: “terá que governar com a razão e a sensibilidade”. Para o prefeito que chega, boa sorte, boa gestão e bom 2005 com muita luz.
Engenheiro agrônomo Christopher Davies - RG. 8.739.141