Regional

Trem descarrila e pega fogo em Botucatu

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - Parte de uma composição da Brasil Ferrovias carregada com combustível descarrilou e pegou fogo, anteontem à tarde, em trecho da malha próximo a Toledo, distrito de Botucatu (100 quilômetros a sudeste de Bauru). O acidente, que ainda não teve as causas apuradas, ocorreu na zona rural e causou prejuízos a uma plantação de café. Não houve feridos. A previsão é de que o trecho seja liberado até 10h de hoje.

De acordo com informações do Corpo de Bombeiros de Botucatu, o descarrilamento ocorreu por volta de 16h30, em trecho entre as estações de Rubião Júnior e Toledo. A composição havia saído de Paulínia com destino a Campo Grande (MS), e dos 30 vagões, pelo menos sete saíram dos trilhos. Quatro deles tombaram e dois dos vagões que carregavam gasolina e óleo diesel explodiram.

O tenente Cláudio Ribeiro da Silva relata que os bombeiros conseguiram controlar o incêndio nos vagões e na área afetada por volta de 21h, porém os oficiais permaneceram no local até 1h30 para realizar o resfriamento da composição. “Usamos a técnica necessária para controle de combustível, isolando os vagões um a um, até extinguir o fogo de todos. Usamos água com LGE (líquido gerador de espuma), que é um produto eficiente em casos de incêndio”, explica Silva.

O coordenador de Meio Ambiente da Brasil Ferrovias, Estevam José Godoy, afirma que os danos provocados pelo derramamento de combustível no local não foram graves porque a queda dos vagões formou uma espécie de bacia, onde o óleo diesel e a gasolina teriam ficado represados.

Segundo a assessoria de imprensa da Brasil Ferrovias, até o final da tarde de ontem os motivos do acidente ainda estavam sendo apurados. Ao todo, a carga de combustível consumida pelo fogo foi de 150 mil litros. O órgão informa também que os agricultores que tiveram sua produção destruída pelas chamas serão ressarcidos.

A assessoria informa ainda que funcionários e técnicos da empresa passaram o dia no local do acidente para colocar a composição de volta nos trilhos e transferindo o restante das cargas para caminhões.

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Risco de acidentes

Mesmo com a malha férrea deteriorada e os vagões sem manutenção, a Brasil Ferrovias e o Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul descartam a possibilidade de acidentes similares ao de anteontem, com composições carregadas de combustível, em áreas urbanas.

De acordo com Roque Ferreira, presidente do sindicato, a velocidade média dos trens em trechos como o do acidente de Toledo é de 50 quilômetros por hora. Em áreas urbanas, a velocidade é obrigatoriamente reduzida a cerca de dez quilômetros por hora. “A possibilidade de um descarrilamento no perímetro urbano, mesmo havendo precariedade nas condições de tráfego, é de quase zero. Há uma série de medidas de precaução que reduzem a possibilidade de acidentes assim”, diz.

Por outro lado, ele critica a atual situação da malha férrea da Brasil Ferrovias. “Um acidente é provocado por vários fatores agregados. As ferrovias são o meio mais seguro para transportar cargas perigosas, mas precisam estar adequadas a isso. Temos sérios problemas de infra-estrutura na via permanente, que se degradou muito nos últimos nove anos e não sofreu os reparos necessários”, aponta Ferreira.

Segundo o presidente do Sindicato dos Ferroviários, o estado dos vagões e locomotivas também é preocupante, principalmente nos itens chamados de material rolante (eixos e rodas). “Eles não vêm sofrendo manutenção preventiva e corretiva. As trocas de rodas não vêm sendo efetuadas com regularidade, fruto da precariedade da manutenção. O pouco que é feito, é de maneira precária”, ressalta.

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