Teve aí essa estória de alguém querendo impor uma lei para “curar” homossexuais. Tolice terreana de alguém doente. Não tem cura! É congênito. E não é uma opção. Você só pode optar se vai praticar ou não.
Agora, quando uma religião diz que “curou” o irmão da igreja que casa com a irmã da igreja, e tem filhos etc. etc., foi apenas um bissexual que barrou seu lado homo deixando a vista sua porção hetero. Só os bissexuais, que são a maioria, têm opção.
O problema é mais social. Existe o conceito de ser assim e ser assado citado pela religião desde primórdios. Isso condiciona o homem que é facilmente manipulado pelas cabeças mais pensantes (por motivos de status, poder, neurose, dinheiro). E, todos, ou quase, morrem de medo de assumir a própria condição orgânica e emocional em diversos setores. O ser humano “se vigia” com leis canhestras criadas por seres que tinham interesse em ganhar com isso.
E lá vai sofrimento e frustrações geradas por contenções e causando ódios, e revoltas, e vícios, e guerras, e mortes, e massacres. Tudo girando em torno desse pseudo eixo sexual criado por falsos conceitos de amor a Deus. Ora, Deus não se preocupa com quem transa com quem! Tem problemas maiores para resolver.
(Sergio Lhamas foi sem dúvida uma das maiores inteligências culturais da cidade. Além de belo e muito amado. No entanto, sua “passagem” foi ignorada por todos. Só eu lembrei de uma mensagem por ele nessa coluna. E também passarei pela mesma coisa.)
É isso. O pessoal se tranca no armário. Com medo que saibam de sua sexualidade em chamas. E que vai azedando, encruando e criando pobres seres decadentes. E, pior, os que saem do armário levam “mais ferro” ainda, por ousarem fazer e gozar o que a maioria não consegue.
Eu sei. Nunca estive no armário. Meu normal sexual foi sempre homo. Nunca escondi e nem poderia, pois minha androginia salta pelos meus poros, cheia de carisma - paguei altos preços por isso. Marginalização e violência contra minha integridade física e moral. Agressão pela família, no trabalho, entre amigos, nas ruas.
Orgulhosamente vivi minha sexualidade. Usei e fui usado pelo que de melhor e mais bonito teve no mercado. Fui bonito e desejado. E adorei isso. Escolhi quem eu quisesse aceitar. Sem grilos. Com o corpo apaziguado posso me dedicar melhor aos carentes, às plantas e animais.
Agora tenho corpo e alma serenos pelo conforto de ter sido aquele que eu nasci: gente apenas como toda gente. Mas de cerne livre como uma árvore no campo.
Hesso A. Maciel - RG 4.161.922