Tribuna do Leitor

Meu pai, cidadão bauruense!


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Na qualidade de filha do professor João Gualberto Pires agradeço ao digníssimo vereador Edmundo Albuquerque pela iniciativa da concessão do título de Cidadão Bauruense a meu pai, bem como a todos os vereadores pela sua aprovação, e gostaria de prestar-lhe também, em nome da família, uma homenagem.

Como é gratificante só ouvir elogios quando sou apresentada a pessoas que trabalharam com meu pai, que conheceram ou conhecem seu serviço.

A vida de meu pai sempre foi de doação: doação à família, em nome de quem abriu mão de trabalhar no esporte competitivo, dando prioridade ao convívio familiar. Doação a seu trabalho, como educador e como prestador de serviços à comunidade.

Ele há muito tempo começou a pôr em prática o resultado de seus estudos, transformando-os em prestação de serviços à comunidade, não se limitando às produção científica e à transmissão de teoria pura e simples a seus alunos. Na sua filosofia de utilizar o esporte como meio de formação do cidadão, sempre encorajava os menos favorecidos; não permitia ofensas em campo, tendo como regra: “Xingar é pênalti em favor do time adversário!”, e depois de alguns minutos de suspensão, dava nova chance àquelas crianças e jovens mais indisciplinados, como forma de buscar a inclusão social, uma vez que aqueles que erram não devem simplesmente serem alienados da sociedade, sem esperança de se reintegrarem ao convívio social. Onde há esperança, há perspectiva de melhora, de mudança de comportamento.

Seu amor à família, ao esporte de Bauru e à educação não ficaram somente na intenção, mas em atos concretos – e a concretização do amor é a caridade. Esse Dom de Deus é bem conceituado na I Carta de São Paulo aos Coríntios, 13, 4-7:

“A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

Essa caridade, ele prestou durante vários anos através das escolinhas de futebol junto à Unesp, junto ao Bauru Tênis Clube - com reversão de renda para auxiliar na construção da igreja da Casa do Garoto, junto ao Instituto Social São Cristóvão, e também através do projeto SACI – Saúde e cidadania, com o ensino da prática de futebol a crianças e adolescentes da periferia. Atualmente, continua praticando este Dom de Deus, que é a caridade, ministrando aulas de ginástica para terceira idade junto a quatro paróquias da cidade.

Como todo idealista, tem um sonho ainda não realizado - de implantar as escolinhas de futebol em todos os bairros da cidade, principalmente das periferias, educando as crianças e adolescentes através do esporte. Sonho que pode ser concretizado se houver a humanização do ensino nas universidades públicas e particulares, direcionando parte de seus serviços às comunidades carentes.

Se o potencial de pesquisas desenvolvidas nestas universidades fosse também direcionado à prestação de serviços à comunidade, a cidade de Bauru, que possui mais de seis entidades de ensino superior, com diversos cursos cada, teria grande parte de seus problemas sociais saneados.

Pai, assim como tu, que nós saibamos nos doar a nossa família e a nosso trabalho, que saibamos educar nossos filhos e encorajá-los em seus momentos de dúvidas e dificuldades; que saibamos repreendê-los em seus erros, na justa medida, sem tolher suas iniciativas e criatividade; que cultivemos bons relacionamentos por onde passarmos; que nunca deixemos de sonhar e acreditar num mundo melhor, onde todos possam ser tratados com igual consideração e respeito e que façamos algo de concreto buscando fomentar a inclusão social.

Pai, agradeço os maiores bens que nos deste: o amor de Deus, a honra e a educação. Assim como tua esposa, somos filhas, genros e netos abençoados! A ti, nossa eterna gratidão!

Ana Cláudia Pires Ferreira de Lima - juíza do Trabalho

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