Bairros

Aumento de caramujos exige 2º mutirão

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Beneficiados pela umidade do período das chuvas, os caramujos africanos estão se multiplicando em Bauru. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) está recebendo cerca de cinco reclamações sobre a infestação do molusco por dia, contra a média de um telefonema no ano passado. O aumento das queixas levou a Semma decidir pela realização de um novo mutirão para recolher o animal, denominado “Dia C”.

“Estamos planejando fazer o mutirão, abrangendo metade da cidade, até o final deste mês”, afirma Carlos Barbieri, titular da Semma. Em novembro do ano passado, quando foi realizado o primeiro “Dia C” foram recolhidos mais de 160 quilos de caramujo nos três bairros abrangidos pela campanha - Vila Independência, Jardim Terra Branca e Vila Santista.

O caramujo pode transmitir dois vermes que prejudicam a saúde humana. Um deles causa doença abdominal grave, que pode provocar a perfuração intestinal, hemorragia abdominal e resultar em morte, e o outro causa distúrbios no sistema nervoso e fortes e constantes dores de cabeça.

Passados menos de dois meses, os moluscos estão de volta nos três bairros e surgindo em outros. “Na época do mutirão, melhorou. Mas agora com as chuvas, os caramujos estão aparecendo aos montes no quintal. Acho que ficaram muitos ovos. Quando vou tirar o carro da garagem, sempre passo por cima de uns dois ou três. A gente recolhe em sacos e põe para coleta de lixo”, conta o mecânico Elio Soares Vito, que mora na Vila Santista.

Do outro lado da cidade, no Jardim Carolina, a reclamação é a mesma. “Do lado da minha casa tem um terreno baldio, que está com mato alto, que além de insetos, é criadouro de caramujos. Eles saem do terreno e escalam o muro da minha casa. A gente fica preocupado porque tem criança e sabe que o bicho pode transmitir doenças”, diz o comerciante Claudomiro Silvestre.

Ele reclama que já informou vários órgãos municipais sobre a invasão dos caramujos e nada foi feito. “A gente coloca no saco de lixo, mas isso é um problema de saúde pública”, agrava. No Jardim Redentor, as crianças chegam a brincar com os caramujos que aparecem em uma praça localizada entre as ruas Santa Martha e Santa Helena, conta Maria Madalena de Oliveira, moradora do bairro.

“Eles me trouxeram um caramujo que pegaram na praça, onde jogam futebol”, relata. O estudante Fernando Henrique Torse, 19 anos, confirma. “A gente passou a jogar bola na rua por causa dos caramujos que estão na praça. Mas tem muito menino que anda por lá descalço’, diz.

Devido ao aumento das reclamações, Barbieri avalia que o mutirão para recolher o caramujo e orientar a população a como proceder na retirada do molusco dos quintais é prioridade. “Após o primeiro ‘Dia C’, as Regionais Administrativas continuaram recebendo os caramujos, mas aos poucos foi diminuindo a quantidade entregue porque muita gente acha difícil levar até lá. Queremos esclarecer de novo”, comenta.

A proposta é que o segundo “Dia C” seja realizado nos mesmos moldes do primeiro, numa parceria da Semma com Secretaria Municipal de Saúde através do Centro de Controle de Zoonoses e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

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