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O fator externo


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O melhor resultado da política econômica nos dois anos do governo Lula é, sem dúvida, uma importante redução do constrangimento externo. Foi nesse capítulo que se pôde observar a radical mudança de rumos na administração da economia, obtido à custa de grande sacrifício tanto do consumo quanto do investimento ao longo de 2003, sem o que não se teria sepultado a política de “panos quentes” que vigorou de 1998 a 2002. O Brasil deixou para trás o arrastado “plano de vôo” tucano e recuperou em 2004 as condições básicas para o desenvolvimento sustentado e, daqui para a frente, mais robusto... Se minhas preces de Ano Novo forem ouvidas e desistirmos do atual namoro com a valorização do Real que desestimula investimentos nas exportações.

As exportações e o extraordinário dinamismo do agronegócio nestes dois anos foram os responsáveis pelo progresso que tivemos no desarme da armadilha representada nos imensos déficits em conta corrente acumulados no período anterior de governo. O sucesso do ajuste externo pode ser medido pela inversão do sinal das contas externas e do comportamento do PIB entre 2001/2002 e 2003/2004 (os dois últimos anos de FHC e os dois primeiros de Lula). Terminamos 2001 com o PIB crescendo 1,3% e um saldo negativo de US$ 23 bilhões e US$ 200 milhões em conta corrente; em 2002, o Produto cresceu 1,9%, ainda com um déficit de US$ 7 bilhões e US$ 700 milhões em conta corrente. Em 2003, graças ao forte ajuste interno (para segurar a escalada inflacionária), o PIB cresceu 0,5% com um resultado positivo de US$ 4,1 bilhões no conta corrente e em 2004 terminamos com um saldo estimado em US$ 9 bilhões em conta corrente e crescimento do PIB acima de 5% (possivelmente 5,3%).

Os fatores que identificam o grau de vulnerabilidade da economia brasileira e são acompanhados de perto pelos credores internos e externos sofreram modificações importantes desde 2002. Eles melhoraram nas três dimensões: 1. A relação “Dívida Líquida do Setor Público/PIB” que estava acima de 56% no início do governo, está hoje em 54% e tem toda a probabilidade de continuar caindo gradualmente; 2. A relação “Amortização + Juros de Empréstimos Externos/Exportações”, embora não tenha ingressado ainda na faixa “virtuosa” dos 25%, melhorou bastante desde o final de 2002: o “mercado” toma como referência que o total das despesas com amortização e os juros das dívidas já feitas não deve superar das exportações anuais. Em 31/12/2002, estes compromissos de pagamento alcançavam praticamente 72% das exportações; em 31/12/2004 a relação caiu para 57%, revelando um rápido avanço em direção ao ponto de referência “virtuoso”; 3. A relação “Dívida Externa Líquida/Exportação de Bens e Serviços” tem uma referência internacional (benchmark) da ordem de 150%: para os credores, a dívida dos países “virtuosos” deve eqüivaler a um ano e meio de suas exportações; no final do governo passado essa relação estava em indecentes 320% e hoje caiu para 190%, progresso devido ao importante crescimento de nossas exportações que deixou somente este ano um saldo de US$ 33 bilhões no comércio exterior e também graças à inteligente administração da dívida de parte do Tesouro e da Fazenda.

O autor, Antonio Delfim Netto, é deputado federal pelo PP-SP, professor emérito da USP. E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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