Polícia

PM apreende transmissores suspeitos

Da Redação
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Uma operação da Polícia Militar (PM) que teve início ainda no final do ano passado desmontou uma rede supostamente instalada para interferir - e atrapalhar - no sistema de comunicação via rádio da corporação. Desde meados do mês passado, os policiais militares em ronda nas viaturas e nas bases vinham sendo surpreendidos com interferências radiofônicas e atormentados com mensagens ofensivas transmitidas na freqüência exclusiva utilizada pela corporação.

Ontem, o tenente Hudson Covolan, comandante do Pelotão de Força Tática, anunciou a terceira de uma série de três ações que culminaram com a apreensão de uma farta aparelhagem eletrônica suspeita de ter sido utilizada para “invadir” as comunicações restritas da PM.

No total, foram apreendidos três rádios móveis (HTs), duas bases de transmissão fixas e uma móvel. Ninguém foi detido, já que não houve a caracterização do flagrante. Uma perícia técnica tentará definir se os aparelhos foram ou não os responsáveis pelas transmissões (leia mais acima).

O tenente Hudson conta que em dezembro a PM começou a receber as interferências. Na maioria das vezes, o sistema clandestino de transmissão era apenas acionado, sem veiculação de voz, o que causava ruídos na comunicação e acabava atrapalhando o trabalho dos policiais. Mas na madrugada do dia 14, na manhã dos dias 28 e 30 e na noite do dia 29, os “piratas” entraram na freqüência da PM com mensagens faladas, algumas simulando uma chamada para uma falsa operação policial, outras com conteúdo jocoso e ofensivo aos policiais.

O caráter clandestino destas interferências foi identificado, explica o comandante do Tático, porque o sistema de comunicação controlado pelo Centro de Operações da PM (Copom) identifica, através de um código numérico que surge nas telas dos computadores, o aparelho emissor da transmissão. No caso das interferências, nenhum código aparecia no sistema do Copom.

As interferências e mensagens ofensivas cessaram no último dia 30, segundo o policial, após seguidas advertências de que aquelas transmissões estavam sendo rastreadas e que os responsáveis, se encontrados, responderiam a inquérito pelo crime de interferência nas comunicações da polícia, cuja pena é de dois a quatro anos de detenção. O crime e a pena estão definidos no Código Brasileiro de Telecomunicações.

Rastreamento

Diante desta situação, inédita na cidade segundo o tenente Hudson, a PM acionou os investigadores do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil, que iniciaram os trabalhos de rastreamento das transmissões indesejáveis. Com base neste ratreamento, as equipes de policiais começaram a encontrar a aparelhagem suspeita.

No dia 31 de dezembro, foram apreendidos dois HTs com um mecânico de 37 anos, morador no Jardim Filomena - os nomes não foram divulgados porque não houve flagrante e também porque os aparelhos precisam ser periciados.

Nesta mesma residência, conta o policial, já haviam sido apreendidos, 15 dias antes, um revólver, uma cartucheira e uma arma de pressão. Na última terça-feira, outra equipe da PM abordou um veículo Omega no Jardim Bela Vista. Com o motorista, um homem de 29 anos, foram encontrados dois HTs e uma base móvel instalada no carro.

E finalmente ontem, após uma denúncia anônima, policiais invadiram uma casa no Jardim Ferraz e, de posse de um mandado de busca a apreensão, encontraram com um servente de pedreiro de 26 anos duas bases fixas de transmissão.

Também foi encontrada uma arma de fogo de fabricação caseira. O servente foi indiciado em inquérito e responderá pelo porte da arma e, dependendo do resultado da perícia nos aparelhos, pelas supostas interferências de rádio.

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‘Balística’ do rádio

O tenente Hudson Covolan, comandante do Pelotão de Força Tática da PM, vai encaminhar toda a aparelhagem apreendida para os investigadores do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil que, com a ajuda de técnicos da Sala de Rádio da PM, farão a perícia para identificar se foi deste aparato que partiram as interferências e mensagens ofensivas contra os policiais.

Segundo ele, esta identificação pode ser feita através da confrontação do espectro de freqüência da onda emitida pelo aparelho apreendido com o das transmissões invasoras, todas elas gravadas pelo sistema do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom).

“É como se fosse uma espécie ‘impressão digital’ da onda, ou um ‘exame de balística’ do rádio, já que cada aparelho possui um espectro de freqüência muito específico”, explica o policial. Ele lembra que o mesmo procedimento poderá ser adotado para identificar também os “locutores” das tais mensagens ofensivas, já que a voz humana também possui um espectro de freqüência que é diferente de pessoa para pessoa.

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