Saber dividir o tempo entre as diversas atividades do dia-adia é, na opinião da psicóloga Daniela Gibin Duarte, um dos primeiros passos para quem quer viver melhor. “A regra geral é destinar oito horas para o trabalho, oito para o descanso e oito para o lazer. Só que a maioria das pessoas não tem essa divisão muito clara, o que não é nada bom”, comenta.
Para ela, o controle da vida pessoal passa por esse controle do tempo. “Isso começa com o planejamento, que, por sua vez, implica no estabelecimento de metas. Objetivos provêm de motivação. Eles necessitam de um desejo. São o primeiro passo em qualquer esforço sério para melhorar nossa eficácia na realização do que queremos para a vida e o trabalho”, salienta.
Muitas pessoas conseguem. Como Márcio Modesto, que sempre arruma tempo para passear com a esposa Joelce e o filho Matheus. Ou Thalita, que desfruta de bons momentos ao lado do namorado e dos primos no shopping.
Definidos a divisão do tempo e os objetivos nos diferentes setores da vida, o próximo passo é compreender os diferentes papéis que uma mesma pessoa exerce na sociedade. Um dos mais importantes citados pela psicóloga é o papel profissional, que divide-se em efetivo (desempenhado no ambiente de trabalho, propriamente) e paralelo (em outras atividades onde a imagem profissional continua em jogo).
Há também o papel conjugal (tempo destinado à pessoa amada), que é diferente do papel familiar (destinado a pais, irmãos, filhos e outros parentes). O papel social, desempenhado junto a amigos, colegas, vizinhos. O papel educacional, quando se busca o autodesenvovlimento. E o papel recreacional, utilizado para lazer, prazer e satisfação.
Segundo Duarte, a maioria das pessoas distorce esses papéis. Confunde a relação conjugal com a familiar, sem reservar um tempo para a intimidade. Contamina a vida social com a profissional, encontrando-se com pessoas que só falam de trabalho. Abre mão do papel educacional para absorver informações genéricas oferecidas pela televisão. E desenvolvem atividades de caráter recreativo apenas aparente, sem obter uma satisfação real.
“Nossa vida é uma só: se um lado dela não estiver bem, carregaremos a insatisfação e o sofrimento para tudo o que fizermos. Viver feliz é encontrar satisfação em tudo o que é importante e isso requer pequenas mudanças”, ressalta.
Sugestões
“Reserve um tempo para si. Cumpra prazos e horários: faça o relógio trabalhar para você e não o inverso. Recuse atividades opostas ao seu plano de trabalho, diga não – pelo menos enquanto não concluir o que estava previsto. Agrupe tarefas afins na hora da execução. Tente fazer as coisas de uma só vez, sem transferir para o outro dia coisas que precisam ser resolvidas. E racionalize, simplifique tudo o que puder”, recomenda.
Sentir-se à vontade no ambiente de trabalho e personalizá-lo também é importante, segundo ela. Nesse sentido, deve-se escolher a imagem de fundo do computador, manter a foto de alguém querido, um enfeite sobre a mesa. E manter tudo bem organizado, um arquivo de acesso rápido e fácil para ganhar tempo.
“Tenha gestos atentos com seus colegas de trabalho, escolha um método de discussões que seja adequado à situação às pessoas. Troque a competição pela cooperação. Pare de reclamar - veja nos problemas possibilidades de mudança. Conviva com seu chefe sem medo, apenas com respeito. Tenha atitude de aprender sempre, todos têm algo a nos ensinar. E seja educado e gentil com todos os que o cercam”, encerra.
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Revendo o orçamento
Ele pode não comprar a felicidade, mas saber que o dinheiro vai dar até o fim do mês ou que vai sobrar um pouquinho para a poupança faz muito bem à saúde. A preocupação é um dos piores venenos para o ser humano e saber que a vida financeira está em ordem é essencial para seu bem-estar.
O segredo, segundo o economista José Roberto Serra, professor da Instituição Toledo de Ensino (ITE), é planejar. “Você tem que programar sua vida para nunca gastar mais do que vai receber. Se gastar mais, virá o estresse e, atrás dele, as doenças”, orienta.
Ele afirma que a melhor maneira de controlar os gastos é colocar tudo no papel. “Você anota o que vai ganhar no mês. Então, relaciona as despesas fixas: aluguel, condomínio, mensalidade da escola, água, luz, telefone. Depois, as despesas variáveis: transporte, supermercado. A soma das despesas tem que bater com as receitas e, se possível, sobrar um pouquinho”, sugere.
Para fazer sobrar, Serra recomenda pesquisa de preços, comprar frutas e verduras de época e trocar os restaurantes e lanchonetes pela comida caseira. “Acorde um pouco mais cedo e tome café em casa, ao invés da lanchonete perto do escritório”, comenta.
Outra dica é aproveitar as promoções. “Semana passada, a batata estava a R$ 0,05 num supermercado. Compramos oito quilos com R$ 0,40. Esta semana, o quilo já estava por R$ 1,48. Quer dizer, em dia de promoção, vale a pena comprar para estocar”, orienta.
“Na hora de gastar, o importante é pesar custo e benefício. Pagar a academia hoje pode sair mais barato que ter que pagar médicos e remédios mais tarde”, acrescenta.
Outra dica de ouro, defendida por especialistas do mundo inteiro, é guardar pelo menos 10% do salário todos os meses. Uma medida que ajuda a enfrentar com mais tranqüilidade as emergências da vida.
“Além disso, todo mundo tem planos, sonhos, metas e é importante para a vida do ser humano investir nessas coisas. Seja para pagar uma viagem, comprar um carro, quitar o financiamento, comprar uma casa. Por isso, poupar é essencial”, acrescenta Serra.