A poucos dias logo no início do verão, todos nós, surpreendidos, tivemos que tirar do guarda-roupa nossos grossos agasalhos devido à baixa temperatura de l6,5º e à chuva que nos faziam tiritar de frio. Era comum ouvir-se em muitos lugares a expressão de que: “O tempo está louco!” Em verdade, o tempo não está louco, mas insano está o próprio homem por estar levando a natureza, por irresponsabilidade e movido pela ganância à desarmonia, ao desequilíbrio. Existem fatos naturais que acontecem independentemente da ação do homem, sendo ele vítima indefesa, como a hecatombe provocada pelo tsunami no sul da Ásia, que o mundo todo ainda acompanha com compaixão e que levou à morte mais de 160 mil pessoas, o equivalente à população de uma cidade de porte médio.
Mas há outros que estão sendo causados pelo homem e, pela lei de causa-efeito, nada mais são do que as respostas da mãe-natureza ao desatino humano. E não é por falta de conhecimento ou alerta dos estudiosos e cientistas mas, infelizmente, o homem, cético, dirigido pelo espírito imediatista, pela ganância desenfreada e sem pensar na herança que será deixada à posteridade, continua com sua ação predatória e criminosa.
Tem sido denunciado o efeito estufa provocado pelas chaminés dos grandes centros industriais em desrespeito ao Protocolo de Kyoto que está provocando o aquecimento do globo e o derretimento das geleiras do polo norte com a elevação do nível dos mares e oceanos; sua poluição pelos petroleiros acidentados; o assoreamento e o desaparecimento de muitos rios pelo fim das matas ciliares, como poderá acontecer com o nosso Batalha; o incontrolável desmatamento com o conseqüente extermínio da fauna. Tudo pinta um triste e desolador quadro que será descerrado no futuro pelos nossos filhos e netos. E fato irônico é o de que os grandes responsáveis são pessoas esclarecidas, formadas, e não o povo, como se poderia pensar; formadas, esclarecidas, no fundo conscientes, mas inconseqüentes e irresponsáveis, egoístas porque somente pensam em proveito próprio e não na herança maldita que estarão deixando.
A preservação do meio ambiente não deve constituir preocupação minha, do leitor, do brasileiro e das ONGS, mas de todos os povos e países. Pois podemos mudar de apartamento, casa, cidade, país e mesmo de continente, mas não poderemos mudar nunca deste planeta para outro, porque aqui a nossa orbe é o habitat de todos os povos e raças. E quando a natureza responde às agressões das mais variadas formas, não escolhe os que devem ser viítimas ou atingidos, mas a milhares, como vimos recentemente. Isto posto, fala-se muito na formação do cidadão para o exercício da cidadania. Ressalte-se, porém, que há necessidade de não apenas formar o cidadão brasileiro, mas o cidadão do mundo. E para a formação do cidadão do mundo a chave milagrosa é a educação; só a educação tem o poder de mudar o homem para o bem, para o melhor. Daí considerar fundamental, imprescindível e inadiável a implantação de estudos sistemáticos da ecologia e educação ambiental nos currículos das escolas da educação básica às universidades.
As mudanças na natureza são perceptíveis, as estações estão perdendo suas características, onde não chovia, chove, onde caia neve não está mais nevando e onde nunca nevou, poderá nevar. Então, que não estranhemos se um dia nevar em Bauru e região. Acontecimento que em região própria seria um belo e curioso espetáculo, para nós, bauruenses, será um pesadelo, pois muitos outros fenômenos naturais poderão acontecer. Portanto, a nossa responsabilidade é enorme em relação a esta geração que ainda senta nos bancos escolares, cursa as universidades e às futuras pois elas, certamente, poderão ser muito penalizadas devido à insanidade destes tempos!
Joaquim Eliseo Mendes - professor