Polícia

Adolescente morre com um suposto disparo acidental

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

Acionados pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), policiais encontraram Bruno Henrique Pereira Barbosa, 17 anos, baleado ao lado de sua namorada, Roseane Maria dos Santos, 22 anos, anteontem à noite, em uma casa da Vila Falcão. O rapaz não resistiu aos ferimentos e morreu na manhã de ontem. A moça nada sofreu.

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Desarmamento

O disparo acidental que matou Bruno Henrique Pereira Barbosa, 17 anos, é motivo de alerta para que a população não tenha armas de fogo dentro de suas residências. “É um evento lamentável que reforça a tese de que não se deve ter armas em casa”, diz o delegado seccional da Polícia Civil de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca.

A recomendação da polícia é tema da campanha nacional de desarmamento, iniciada em julho do ano passado pelo Governo Federal. O programa incentiva a entrega de revólveres, pistolas, espingardas e fuzis, com indemnização que varia de R$ 100,00 a R$ 300,00. Desde julho, a Polícia Federal (P.F.) de Bauru recolheu cerca de 4 mil armas em 51 municípios de sua área de abrangência.

“A campanha evita acidentes domésticos e também que os bandidos tenham acesso a armas”, aponta o chefe-substituto da PF de Bauru, delegado Renato Casarini. Segundo ele, até a última sexta-feira, cerca de 220 mil armas haviam sido entregues à PF em todo o Brasil. Além disso, mais de 250 armas foram recolhidas pela Delegacia Seccional de Bauru desde novembro do ano passado, quando foi firmada uma parceria da Seccional com a PF, na campanha de desarmamento.

As armas podem ser entregues na Delegacia da Polícia Federal, que fica na avenida Getúlio Vargas, 20-55, e na Delegacia Seccional, na Praça Dom Pedro II, 3-20. Conforme o registrado em boletim de ocorrência (B.O), Bruno foi encontrado inconsciente, por volta das 23h, em uma residência localizada na quadra 2 da rua Bernardino de Campos. O adolescente, ferido com um tiro atrás da orelha direita e no alto da cabeça, foi socorrido pela Unidade Resgate do Corpo de Bombeiros e encaminhado ao Pronto-Socorro Municipal Central. Ele foi internado com morte cerebral na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base, mas morreu às 7h de ontem.

Aos policiais, Roseane contou que Bruno estava brincando com um revólver calibre 38, que disparou acidentalmente. A moça disse que o adolescente havia adquirido a arma no dia anterior ao acidente e que ela estava sentada no colo do namorado enquanto ele manuseava o revólver.

Chocados com o acidente, familiares e amigos de Bruno contam que não sabiam da existência da arma. “Não sabemos de onde ela apareceu”, disse uma das tias do adolescente, Tânia Mara Ribeiro. “Uma morte trágica assim, foi um choque”, apontou ela, durante o velório do sobrinho.

Bruno morava com a mãe e dois irmãos, uma menina de 7 anos e um bebê de 3 meses, no Parque Roosevelt, conta Tânia. No momento do acidente, o adolescente estava com a namorada, com quem estava há cerca de um mês. “Ele era um menino maravilhoso, um excelente filho, sobrinho e irmão”, contou a tia. Segundo ela, o sobrinho havia terminado a 8.ª série e tinha planos de cursar supletivo. “Ele também queria trabalhar”, disse. Muito abaladas com a morte de Bruno, sua mãe Márcia Pereira Barbosa, e a namorada, preferiram não falar com a reportagem.

Investigações

A Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto (DIG) abriu inquérito para apurar as causas da morte do adolescente. “Estamos investigando para saber se realmente houve um acidente, se ele se suicidou ou se houve qualquer outro crime”, detalha J.J Cardia, titular da DIG/Garra.

No local dos fatos, a PM localizou um revólver carregado com um cartucho deflagrado e picotado em cima de um colchão, ao lado da cabeça da vítima. Após efetuarem buscas no interior da residência, foram encontrados oito cartuchos picotados, porém não deflagrados, dentro de uma vasilha que estava atrás da geladeira, além de um projétil deflagrado próximo ao colchão onde estava a vítima. O revólver e os cartuchos foram apreendidos e encaminhados para a perícia técnica. Foram requisitados exames residuográficos na vítima e em Roseane. O Instituto Médico Legal (IML) também realizará perícia do corpo. Os laudos dos exames devem sair em dez dias.

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