Bairros

Sebes articula rede de proteção social

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Há pouco mais de uma semana no cargo de secretária municipal do Bem-Estar Social (Sebes) de Bauru, Egli Muniz definiu as prioridades da pasta mesmo sem verba para financiar todos os projetos. Ela que implantar uma rede de proteção social para descentralizar o atendimento e ampliar a atuação dos Núcleos de Assistência Familiar (NAFs), que desde o final de 2004 passaram a ser chamados de Centros de Referência de Assistência Social (Cras).

Na prática, a proposta da nova titular da Sebes é que a população carente seja atendida em seus bairros, em entidades já existentes. “O Cras vai funcionar como porta de entrada da população carente: vai cadastrar as famílias e encaminhá-las para os programas já existentes em entidades objetivando a emancipação destas famílias”, explica.

Em Bauru, da população de cerca de 350 mil pessoas, aproximadamente 80 mil vivem em situação de pobreza e apenas 20% estão sendo atendidos por entidades e pela prefeitura, de acordo com Egli. “Precisamos aumentar este índice e uma das saídas é ampliar os Cras e criar a rede de proteção social, oferecendo vagas conforme a demanda daquela região. As entidades terão que focar uma área de atuação”, afirma.

Atualmente, Bauru tem três Cras em pleno funcionamento, os localizados no Ferradura Mirim/Parque Júlio Nóbrega, Parque Jaraguá e Pousada da Esperança/Vila São Paulo, e um quarto, o instalado na Vila Santista/Jardim Terra Branca, em início de atividade. No Cras, além de atendimento psicológico, social e ajuda emergencial na forma de cesta básica, são oferecidos cursos de geração de renda, para que o usuário possa sair da situação em que se encontra.

O Cras da Vila Santista/Jardim Terra Branca já tem 120 famílias que recebem ajuda mensal de R$ 60,00 do programa estadual Renda Cidadã cadastradas para fazer cursos profissionalizantes. “As atividades serão retomadas em fevereiro com cursos de confecção de chinelo, de pintura em madeira, de informática e de alimentação numa parceria com o Senai”, conta a assistente social Adriane Julião.

A entidade atende, ainda, outras 80 famílias da região da favela do Jardim Vitória e outros bolsões de pobreza da região, que buscam ajuda emergencial, cursos de geração de renda e encaminhamentos. “Acreditamos que a demanda é muito maior. Vamos buscar parcerias com entidades da região para ampliar o atendimento”, frisa a assistente social.

O Cras da Pousada/Vila São Paulo, em funcionamento há dois anos, está em fase de ampliação devido ao aumento na demanda. “Já temos 580 famílias cadastradas para os cursos de geração de renda, atendimento emergencial e qualificação profissional de adolescentes”, relata Cláudia Patrícia Clérigo, coordenadora da entidade.

Para oferecer mais vagas, a Sebes está alugando um imóvel vizinho ao Cras. “Hoje, atendemos a demanda porque trabalhamos em três turnos”, diz. A dona de casa Benedita Vilma Aguiar Mariano, moradora na Vila São Paulo, já fez dois cursos de geração de renda no Cras aprova a linha de atuação da entidade.

“Fiz o curso de flores artificiais e consegui vender todos os arranjos. Só ficou um que dei de presente a minha nora. Investi uns R$ 180,00, mas tive cerca de R$ 150,00 de lucro”, conta. Com o marido desempregado e contando apenas com a ajuda do filho, Vilma, como é conhecida, quer fazer outros cursos.

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Mudança

Com orçamento anual de pouco mais de R$ 440 mil para financiar 27 projetos da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), Egli Muniz está tentando reduzir gastos transferindo programas mais caros, como o Nutribebê e as creches, para outras secretarias.

“A nossa proposta é que o Nutribebê, que custa R$ 600 mil por ano, passe para a Secretaria de Saúde, e as creches para a Secretaria de Educação”, explica. Com isso e buscando parcerias, ela espera ter condições de ampliar o atendimento à população carente.

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