Em funcionamento no Município há mais de seis anos, a Oficina Cultural “Glauco Pinto de Moraes” vem cumprindo seu papel como fomentadora de eventos, cursos e atividades ligadas a arte, entretenimento, comunicação e informação. No entanto, os trabalhos realizados pela unidade ainda são desconhecidos da grande maioria da população. No máximo, a Oficina é apontada como o local que oferece acesso gratuito à Internet.
Dentre as diversas pessoas entrevistadas pela reportagem do JC, anteontem à tarde, no Calçadão da Batista, o universitário Ricardo Coimbra, 24 anos, foi um dos únicos a responder prontamente que conhecia a Oficina, sem a necessidade de referências como a localização ou a disponibilidade dos computadores do programa Acessa São Paulo.
“Eu conheço porque uma amiga participou de um curso de teatro lá, e eu ia com ela. O prédio é muito legal, mas acho que poderia ser melhor aproveitado, com mais cursos, aulas todos os dias. Uma coisa interessante seria fazer parcerias com escolas estaduais, já que a Oficina é do Estado, com aulas de dança e teatro”, aponta Coimbra.
O professor de street dance Everton Pereira é usuário da Oficina Cultural há muitos anos e chegou a apresentar um projeto para iniciar um curso de dança no local. “É uma pena que acabou não rolando. Mas quem é interessado tem que procurar o pessoal da oficina; é uma iniciativa que vale a pena”, diz.
Ele lamenta a falta de divulgação de algumas atividades e cursos. “O pessoal de Bauru não conhece esse espaço e, quem conhece, é mais pelo boca-a-boca, ou quem já participa de grupos de dança, de teatro... Eu mesmo comecei a vir aqui por isso”, relata Pereira.
O grupo de teatro Ato começou a fazer seus ensaios na Oficina neste ano. Seu diretor, Carlos Batista, elogia o trabalho que vem sendo desenvolvido pela coordenação da unidade. “Acho que a Oficina Cultural cumpre muito bem seu papel como fomentadora de cultura na cidade e na região”, indica.
Por outro lado, como professor de oficinas de iluminação e teatro na região, ele lamenta a falta de interesse no trabalho da unidade. “A Oficina atende toda a região de Bauru, e o que acontece é que algumas cidades não aceitam graciosamente as oficinas oferecidas. Algumas cidades receberam a programação e disseram que não tinham interesse, somente pela questão política. Mistura-se cultura com política partidária, quando ambas deveriam dar as mãos”, opina Batista.
Recursos e parcerias
O coordenador regional de Cultura e responsável pela direção da Oficina, Marcelo Graziani, explica que a unidade é gerenciada pelo governo estadual, como parte do Departamento de Formação Cultural (DFC) da Secretaria de Estado da Cultura, e atende a 44 cidades da região de Bauru. Ele esclarece que todas as oficinas, cursos e atividades são realizadas gratuitamente, com recursos do Estado, aprovados para a programação semestral da unidade. No entanto, não há verbas destinadas para manutenção do prédio ou para a compra de equipamentos.
Na opinião de Graziani, a formação de parcerias com a iniciativa privada seria uma boa solução para a restauração do prédio e para a implementação de novas atividades na Oficina. “Não temos permissão para cobrar, locar ou pedir dinheiro para os freqüentadores, mas temos liberdade para trabalhar com a iniciativa privada. Seria interessante fazermos parcerias para arrumar o prédio e colocar um banner ou um outdoor da empresa aqui, ou alguém oferecer um curso gratuito”, aponta.
Mesmo do lado de fora, é possível notar o contraste da conservação do prédio. As paredes ainda coloridas da fachada chamam menos a atenção do que a infiltração de água e a goteira sobre a escada, no hall de entrada. O alambrado que circunda o terreno está cortado ou arrebentado em diversos pontos. No interior, os grafites ainda têm as cores vivas, assim como as paredes das salas utilizadas pelo Núcleo de Cinema, que foram pintadas com recursos dos próprios funcionários e freqüentadores. Do outro lado do prédio, os corredores permanecem escuros e com a pintura velha.
Segundo Graziani, a Oficina não recebe verba de manutenção. Há apenas os recursos destinados à programação do semestre. A solução encontrada para a conservação da unidade foi a colaboração dos grupos que utilizam o prédio. Como contrapartida, eles entregam um “kit limpeza”, com produtos e papel higiênico para os banheiros.
“Tem sido feito um trabalho no DFC para que haja um repasse de verbas (para manutenção) e, agora, estamos recebendo material de escritório e de limpeza. O prédio precisa de uma reforma. Já ganhamos 3 mil litros de tinta, que estão à disposição em São Paulo, mas não temos como trazer para cá”, lamenta o coordenador da unidade.
Ele lembra que a Oficina é aberta a qualquer associação, entidade ou grupo que deseje utilizar seus espaços para atividades culturais. Os interessados podem procurar a coordenação para receber mais orientações.
• Serviço
A Oficina Cultural “Glauco Pinto de Moraes” fica na rua Amazonas, 1-41. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3231-1100.