Pesca & Lazer

Férias e pescaria na praia

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 6 min

A família quer uma temporada de férias, afinal, os filhos estão em seu descanso escolar, e quando a “tropa” está em casa, uma das soluções mais agradáveis é fugir do “habitat” natural. E há quem prefira pescar, e aí começa a confusão. As crianças querem lazer, os jovens agito e os pais sossego.

Uma escapadinha para o rio fica complicada, pois o período é de defeso. Nessas horas, o bom é unir o útil ao agradável e descolar uma viagem para a praia, um lugar que dificilmente não agradará a todos. O Brasil é bastante privilegiado, com mais de 8,5 mil Km de costa, oferecendo inúmeras opções ao pescador e ao turista. O melhor é a possibilidade de reunir também uma boa pescaria, mesmo àqueles inexperientes nessa modalidade de pesca.

Independente da cidade litorânea, sempre há um tipo de pescaria que poderá ser realizada. Se você ainda não sabe o seu roteiro, a primeira sugestão é buscar informações em sites especializados, agências de viagem, revistas ou mesmo com amigos mais “viajados”. Viagem marcada, a família prepara-se para desfrutar das delícias litorâneas que têm direito, enquanto o pescador da casa, ou os pescadores, afinal, hoje a pesca é uma atividade realizada em família, com homens, mulheres e crianças apaixonados pela atividade, cuida da tralha.

Há uma série de equipamentos destinados à pesca de praia, principalmente no que diz respeito à durabilidade. Para a pesca de praia, alguns equipamentos são um pouco diferentes dos utilizados em outras modalidades. Como o arremesso tem que alcançar distâncias maiores, a vara tem que ser maior, a linha mais fina e a chumbada é diferenciada, normalmente em forma de pirâmide.

Além disso, alguns acessórios são muito importantes, como o suporte de vara (descanso ou secretário), pois fica muito complicado trocar as iscas sem encostar o equipamento na areia e acabar danificando a engrenagem de molinetes e carretilhas.

Para dar melhor rendimento à pesca de praia, os pescadores utilizam o chicote, também chamado de rabicho ou parangolé. Na linha principal, são colocados dois ou mais engates com as pernadas, a chumbada, o snap e um girador. Outros equipamentos, como alicate bico, de corte, uma pequena tesoura e uma faca ou canivete bem afiado são sempre muito úteis. Para facilitar a indicação de equipamentos, é possível dividir a pesca de praia em três tipos: leve, média e pesada.

Comunicação

Para o sucesso de sua pescaria na praia, uma sugestão é, no primeiro dia, conversar com moradores e, principalmente, com pescadores da região. Eles poderão indicar os melhores pontos para a sua pescaria. Procure saber, inclusive, se há navios encalhados próximos à arrebentação, pequenas ilhas, rios que deságuam na praia e pedras, pois a existência de peixes nesses locais é quase que garantida.

O tipo de praia também difere a pescaria. Então, é necessário saber como é a região e as características das praias e canais. Às vezes sua pescaria pode melhorar muito com a mudança de lugar. Aproveite para aprender a observar o mar, assim, na próxima viagem, mesmo o pescador habituado à água doce, não pensará tanto em escolher um roteiro que inclua a pesca na água salgada.

As praias de tombo, onde a profundidade aumenta rapidamente, com pouca seqüência de ondas, oferecem certa vantagem ao pescador no arremesso, principalmente para espécies que procuram profundidade. Além disso, o pescador nem precisa molhar os pés na água para lançar sua isca.

Já as praias rasas caracterizam-se por ter sua profundidade aumentando aos poucos e apresentam uma série de ondas que formam canais ou valas, onde o pescador precisa “descobrir” em quais desses canais correm os peixes. Normalmente o pescador entra na água para conseguir um arremesso mais distante, mas é bom estar atento, pois os peixes podem estar em um canal mais próximo.

Pescar e relaxar

Na praia, pescando, feliz. O pescador está relaxado, atento somente à pescaria, descobrindo os prazeres da água salgada. Porém, um detalhe que deveria ser obrigatório na tralha, às vezes fica esquecido e, pronto, adeus pescaria. O protetor solar é a garantia do bom aproveitamento das férias e dos prazeres da pesca.

É sempre bom ter em mente que mesmo com o tempo nublado, principalmente no litoral, a pele é mais castigada pelo calor, areia e sal. Então, inclua também na tralha o hidratante para a pele, assim, mesmo que a quantidade de peixes não seja “das melhores”, o pescador garante a oportunidade de começar mais um dia de pescaria. Perder as férias por causa de um pequenos detalhes pode deixar qualquer um de mau humor, o que não combina com pescaria.

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A tralha

• Categoria leve

Varas: de 2,40 a 3,00m., firmes, leves e sensíveis, com capacidade de arremesso (casting weight) em torno de 30/35 gramas. Molinetes: pequenos, de 250 a 350 gramas, com capacidade para 200 a 300 m de linha 0,20mm. Linhas: de 0,15 a 0,20 mm.Arranque: de cerca de 6 metros de linha variando de 0,20 a 0,30 mm. Anzóis: de números 18 a 12. Chumbo: pirâmides de 30 gramas em média. Iscas: pedaços de camarão descascados, minhoca de praia, tatuíra, corrupto, etc. Peixe: pequenos; betaras, pescadinhas, pampos, carapicus, guaiviras, etc.

• Categoria média

Varas: de 3,50m, firmes, rápidas, para arremesso de chumbos de 60 a110 gramas. Molinetes: entre 400 a 500 gramas, com capacidade para 300m de linha 0,30mm. Linhas: média de 0,30mm. Arranque: cerca de 7 metros de linha 0,40 a 0,50mm. Anzóis: médio entre 6,4 e 2. Chumbo: pirâmides de 60 a 70 gramas, podendo chegar até 100 gramas. Iscas: camarão, manjuba, filé de sardinha, corrupto, mariscos, tatuíra, etc. Peixes: médios entre 1 e 2 Kg; betaras graúdas, enchovas, robalos, pampos, corvinas, pescadas, bagres, cações, etc.

• Categoria pesada

Varas: de 3,50 a 4,00m, firmes, com capacidade para lançamento de 250 gramas ou mais. Molinetes: pesados, grandes, fortes e com capacidade para 300m de linha 0,50mm. Linhas: em média 0,40mm. Arranque: de 7 a 8 metros de linha 0.50 ou 0.60 mm. Anzóis: fortes e grandes, do nº 1/0 para cima, encastoados com aço devido a possibilidade de se pegar cações ou outras espécies que podem cortar a linha. Chumbo: pirâmides acima de 100 a 200 gramas. Peixes: de 5 kg ou mais, sendo as espécies mais comuns: cações, robalos, prejerebas, miraguaias, enchovas, caranhas, pescadas, sernambiguaras.

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Como fazer o chicote

Na pesca de praia, seja leve, média ou pesada, os anzóis e chumbos devem ser montados em um chicote que deve ter as seguintes características: comprimento aproximado 1.20m, na parte de baixo um girador com snap onde será colocado o chumbo, partindo do girador para cima após 15cm, é necessário dar um nó de correr e após o nó uma miçanga, um rotor de engate rápido (de onde vai sair a primeira pernada de linha com o anzol), outra miçanga e mais um nó de correr; medir 60cm e repetir a operação para a segunda pernada; para terminar o chicote, medir mais 20cm e colocar um girador que irá ser ligado ao arranque. As pernadas para os anzóis devem medir: a primeira 45cm e a segunda 30cm.

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