A Defesa Civil de Bauru tem 80 áreas de risco registradas, a maioria na periferia. Ao todo, são 88 residências sob ameaça constante de erosão ou enchente na época das águas, a maioria delas entre as 17 favelas. As mais vulneráveis são as do Parque Jaraguá, Jardim Filomena, Parque das Nações e São Manuel.
A informação foi dada ontem pelo coordenador da Defesa Civil em Bauru, Álvaro de Brito, durante reunião realizada na Prefeitura Municipal para discutir a manutenção de equipes permanentes para enfrentar as chuvas de verão. Participaram integrantes da Prefeitura de Bauru, Defesa Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e demais órgãos que discutem planos de emergência na cidade.
Informações do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), órgão da Universidade Estadual Paulista (Unesp), até abril deverão ser registrados de 20 a 30 dias de chuvas fortes na região. Estar preparado para os resgates envolve uma série de providências. As prioridades são a vida, o meio ambiente e o patrimônio, segundo declarou anteontem o chefe de Gabinete, Paulo Sérgio Canalli. A posição voltou a ser ratificada na reunião de ontem.
O sistema viário é outro ponto com alto grau de risco. Vias como a Comendador da Silva Martha, Nações Unidas, Alfredo Maia, rua Guatemala, Daniel Pacífico, Pinheiro Machado são constante ameaça quando a chuva vem. Os trabalhos de emergência hoje são coordenados pela Defesa Civil, mas é preciso envolver outros órgãos para aumentar a base de segurança, segundo a discussão de ontem.
A Defesa Civil hoje tem estrutura para atender até 250 desabrigados em dois ginásios de esportes (Bela Vista e Santa Luzia). Há ainda estoque de colchonetes, lona plástica, cobertores e um esquema para oferecer refeições às vítimas. Em caso de emergência, a Defesa Civil é alertada pelo IPMet e, em seguida, aciona os demais órgãos de resposta.
Mas o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, alega que é preciso ampliar a capacidade de atendimento, proporcionando uma resposta mais rápida nas ações de socorro público. Assim, os demais órgãos que participaram da reunião farão um levantamento de como podem integrar a equipe de socorro da Defesa Civil. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) vai disponibilizar sacos de areia para contenção de erosão e a Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear) vai ceder um veículo à Defesa Civil para as emergências.
Outra idéia discutida na reunião é tornar as sete regionais bases operacionais em casos de emergência. Nesse caso, a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) entra com a assistência social às famílias, em caso de desabrigo.
Porém, os participantes da reunião entendem que não se pode discutir apenas medidas emergenciais. É preciso traçar um plano a médio e longo prazo para eliminar definitivamente as áreas de risco em Bauru. Um projeto que deverá ser retomado é o de macrodrenagem do solo.
O projeto Crédito Solidário, que busca recursos para remover famílias das áreas de risco, deverá ser ampliado, de acordo com a vereadora Majô Jandreice. Hoje, há apenas um convênio assinado entre o governo federal através da Federação das Associações de Moradores do Estado de São Paulo e o município, no valor de R$ 420 mil, que serão utilizados para resolver problemas no Jardim Andorfato e no Parque Jaraguá.