Benjamin Hadba, já falecido, era nosso cliente. Proprietário de um estabelecimento comercial em Iacanga, ao saber de nossa admiração pelos políticos, nos disse, ao fim de uma consulta:
- Eu já enfrentei esse tal de Jânio Quadros.
Ficamos surpresos porque Jânio gozava de uma fama de autoritário, de despótico, de indivíduo que mandava todo mundo para a cadeia, etc. Então o velho Beny nos contou o ocorrido. Pelo fato de estar estabelecido no Centro de Iacanga, ele acompanhava todos os acontecimentos políticos da cidade. Os comícios eram feitos nas imediações de seu estabelecimento. Pois bem, quando Jânio Quadros, em campanha para governador, foi a Iacanga, Benjamim Hadba ficou atento. Colocou a cadeira na calçada e ficou apreciando os acontecimentos. Lá pelas tantas o “Homem da Vassoura”, com oratória contundente, começou a se referir a Adhemar de Barros em termos pejorativos.
Mas Benjamim, que era Adhemarista roxo, foi agüentando quieto. Os ataques começaram com os chavões da época: promessão, interventor nomeado, corrupto, etc. Todavia, quando Jânio pronunciou a palavra “ladrão”, Benjamin não titubeou. Levantou-se e, dando de dedo no matogrossense, berrou: - O senhor pára de falar mal de meu amigo!
Foi um mal estar geral. Mas o que fazer? Todo mundo era amigo do velho Benjamim: a polícia, os correligionários, os cupinchas... Muitos deles lhe deviam favores!
Tiveram de me agüentar – concluiu o velho Beny...
Contada por Rui Bertoti