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Relacionamento entre avós e netos é salutar para ambas as partes

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O relacionamento entre avós e netos é salutar para ambas as partes. Para os avós, a convivência pode ser sinônimo de atualização com o mundo, explica a psicóloga Andréia George’s. “Com os netos, os avós tomam conhecimento de jogos mais modernos, de desenhos animados atuais. É um contato com uma realidade que não faz parte do dia-a-dia deles.”

Para os netos, a convivência com o pessoal da terceira idade também traz benefícios, diz Andréia.

“Os avós tem uma influência muito grande no desenvolvimento cognitivo e social da criança. O contato com o idoso faz com que a criança desperte para uma outra realidade, que é a velhice. Ela vai elaborando sua própria velhice e tendo exemplos. Aprende como doar carinho.”

Na opinião da psicóloga, a relação entre avós e netos é muito prazerosa, na maioria dos casos. “Eles têm mais tempo para se dedicar aos jovens, estão aposentados e não têm o dever de educar, função que deve ser exercida pelos pais, por isso concedem tudo.”

Os mimos, agrados e mordomias, ressalta a psicóloga, não podem significar mal criações. “Não significa que os avós tem que permitir malcriações. Mimar ou agradar não tem nada a ver com tirar a autoridade e o respeito dos pais e deles.”

Educar é dever dos pais, não é função dos avós, frisa Andréia. “A relação dos avós e netos é mais despreocupada, mais prazerosa. Dessa forma, quando os netos vão passar as férias na casa deles, eles permitem além do que permitiram aos filhos.”

A criança em férias sai da rotina por completo, explica a psicóloga. “Não tem horário para acordar, dormir e comer. Quando eles retornam para casa, a dificuldade dos pais em voltar a rotina, as regras, é geral, não é só culpa dos avós. A criança precisa de um tempo para se adaptar à rotina diária.”

Ela ressalta que a criança vai querer os mesmos mimos que tinha na casa da vó. “Há necessidade de dar um tempo para a criança voltar ao ritmo.”

Os avós são mais flexíveis com os netos do que foram com os filhos. “Porque quando pais não tinham tanta experiência, muitas vezes trabalhavam e tinham a responsabilidade de educar, de corrigir.”

Contar histórias, sejam elas infantis ou a própria história de vida, resgata a noção de família. “Os avós podem aproveitar o contato com os netos para contar histórias e até algumas peripécias dos pais. É uma maneira da criança conhecer a história e resgatar a noção de família, dar importância para esses relacionamentos. Isso é muito importante no desenvolvimento infantil.”

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Avós no lugar de pais

Pais separados e mães adolescentes estão gerando na sociedade um outro tipo de avós, aqueles que têm a obrigação de educar. “Existem muitos avós, por uma série de questões, que estão tendo que assumir o papel de pais. O relacionamento, nesses casos, perde a beleza. Eles passam a colocar a mão na massa. Têm que corrigir, dar limite e comprometem o relacionamento”, lembra a psicóloga Andréia George’s,

Quando os avós se tornam pais dos netos, a criança tem dificuldade em vê-los na retaguarda, ressalta a psicóloga. “Os avós já estão com outro ritmo de vida e passam a ter mais responsabilidades, não é só durante as férias. Assumem o papel dos pais e de avós fica perdido.”

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