Saúde

Erro favorece infecção generalizada

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O sucesso de um tratamento com remédios depende de uma série de fatores: prescrição adequada, ingestão correta da substância, manutenção dos cuidados pelo tempo determinado pelo médico, entre tantos outros. Esses critérios são ainda mais importantes quando o tratamento é feito com antibióticos. Um descuido pode transformar uma doença localizada em infecção generalizada.

Seguir o tratamento pelo tempo determinado pelo médico, tomando o remédio nos horários certos, é a principal regra, segundo o chefe da Unidade de Farmacovigilância da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Murilo Freitas Dias.

Ao interromper o tratamento antes da hora ou pular doses por esquecimento ou outro motivo, bactérias ainda vivas podem se fortalecer, tornando-se resistentes ao medicamento.

Assim, aumentam os riscos de o micróbio espalhar-se por outros órgãos. E, o que é pior, nem sempre há medicamentos mais fortes que o que já estava sendo usado, o que reduz as possibilidade de cura.

Dias recomenda que, ao esquecer de tomar uma dose ou se interromper o tratamento antes da hora por algum motivo, o paciente deve observar se os sinais de infecção (febre, dores, secreções) desapareceram.

Se os sintomas persistirem, é porque a bactéria não foi combatida. A doença ainda está lá. Nesse caso, é preciso procurar o médico imediatamente para substituir o medicamento ou reajustar a dose prescrita.

Terminado o tratamento, surge outro problema: o que fazer com as sobras dos medicamentos. Para o farmacêutico Gilberto Fernandes, professor da Universidade do Sagrado Coração (USC), o melhor procedimento é doar as sobras para um núcleo de saúde ou simplesmente jogar fora - de preferência dissolvido em água.

“Existem critérios para se armazenar medicamentos. Se a embalagem já foi aberta ou se o produto fica exposto à luz, à umidade, ocorrem alterações nas propriedades da droga, diminuindo ou até anulando seu efeito. E se demora muito para usar, pode passar do prazo de validade. Vencido, o remédio pode sofrer uma alteração e causar até intoxicação”, adverte.

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Faça certo

De acordo com o Ministério da Saúde, muitas vezes, o paciente faz uma consulta, recebe a prescrição para uso de um medicamento, mas não é informado pelo médico sobre como utilizá-lo da melhor maneira.

“É preciso que o paciente seja esclarecido sobre a possibilidade de tomar o medicamento acompanhado de outro e sobre o tempo de duração do tratamento”, salienta o chefe da Unidade de Farmacovigilância, Murilo Freitas Dias.

Segundo ele, também é muito importante saber que a melhor maneira de se tomar um remédio é acompanhado de água - um copo cheio de água. Ela ajuda a dissolver a substância no estômago. Assim, o princípio ativo é liberado e o medicamento faz o efeito desejado.

Muitas pessoas têm o hábito de só tomar remédios acompanhados de um copo de leite. Ou de tomar antiácidos junto com o remédio para prevenir irritação no estômago. Dias explica que tanto os nutrientes do leite como os antiácidos podem anular o efeito da droga e tornar inútil o tratamento. E isso vale para vários medicamentos, inclusive antibióticos e pílulas anticoncepcionais.

Por fim, os especialistas salientam que só o médico pode prescrever medicamentos. A automedicação torna-se ainda mais perigosa quando indicada por um leigo. O fato de um remédio ter funcionado para o amigo, vizinho ou parente não significa que vai funcionar para a sua doença.

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