Saúde

Tratamento requer mudança de hábitos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

De acordo com os especialistas, o tratamento para a endometriose envolve um conjunto de medidas medicamentosas e cirúrgicas. Mas tudo isso só funciona quando a paciente se dispõe a promover mudanças em seu estilo de vida. “É preciso combater, principalmente, a ansiedade, que é a grande vilã da endometriose”, destaca o médico Abdel Hafid Farid.

Estudiosos do assunto também têm destacado a importância de uma alimentação balanceada, rica em minerais e vitaminas (especialmente as vitaminas do complexo B e os ácidos graxos), e de um programa regular de atividade física. Os exercícios liberam hormônios capazes de reduzir a dor e o estresse.

Paralelamente, o tratamento pode ser feito com injeções ou pílulas anticoncepcionais de uso contínuo, que interrompem a produção de alguns hormônios e suspendem a menstruação. Com isso, a mulher pode ter um alívio (temporário) da dor e das hemorragias.

Esses medicamentos, porém, exigem uma boa avaliação. As injeções retêm líquidos e promovem ganho de peso. E os anticoncepcionais só são indicados para quem não quer engravidar.

Pacientes que apresentam miomas (tumores benignos) ou aderências (o tecido endometrial pode “grudar” um órgão no outro) podem ser submetidas a uma intervenção cirúrgica.

“O procedimento mais usado é a videolaparoscopia cirúrgica. Sob anestesia geral, o médico introduz uma microcâmera por uma incisão de um centímetro na região umbilical e faz mais dois furos de meio centímetro na região da púbis para introduzir os instrumentos. Acompanhando por um monitor, você pode cauterizar, extrair miomas remover aderências e fazer biópsias”, explica Farid.

“É importante deixar claro que a endometriose é uma doença benigna. Não tem nada a ver com câncer e não se transforma em câncer. Porém, como promove dores intensas e até infertilidade, as mulheres costumam tolerar bem o tratamento, mesmo que só para aliviar os sintomas”, salienta a médica Carla Lambertini.

____________________

Anos de sofrimento

Uma executiva de 45 anos, que pede para não ser identificada, conta que descobriu a endometriose há cerca de sete anos. “Eu tinha hemorragias e dores muito fortes no período menstrual. Chegava a ficar dois a três dias de cama, mesmo sob efeito de analgésicos. Ficava extremamente inchada e irritada e isso se prolongava por vários dias”, conta.

O diagnóstico veio acompanhado da indicação cirúrgica. “A endometriose já estava em estágio avançado e eu tive que fazer uma videolaparoscopia para remover miomas e aderências. Cerca de 40 dias depois, comecei a tomar as injeções. Foram seis, uma por mês, aplicadas na região do umbigo. Eram muito doloridas e custavam quase R$ 500,00 cada uma. Comprei as duas primeiras, depois consegui as outras pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, lembra.

Inchada pelo efeito das injeções, ainda era preciso promover inúmeras mudanças de hábito: parar de fumar, fazer exercícios, adotar uma rotina alimentar. “Só que exerço cargo de confiança. Não tenho horário fixo, tenho outras atividades e viajo muito. Isso não combina com bons hábitos. A gente desanima, entra na roda vida novamente e os sintomas reaparecem”, admite.

Em sete anos de acompanhamento, a executiva cobra mais informações sobre a doença. “Já encontrei uma moça desesperada num supermercado porque havia recebido o diagnóstico a achava estar com câncer. Eu acho que os convênios médicos deveriam criar grupos, como o dos diabéticos, do Alzheimer, porque a troca de informações e experiências ajudaria muito. E a prevenção custa muito menos”, sugere.

Comentários

Comentários