Ponha no liqüidificador um catarinense radicado em Maceió (AL), um paulista, um mato-grossense que também vive em Maceió e um curitibano que mora em São Paulo. Acrescente influências de Paulinho da Viola, Cartola, Radiohead e Cake como temperos. Agora, tente descobrir a sonoridade resultante dessa mistura. Conseguiu?
O JC Cultura não. Até aí tudo bem, já que nem os próprios músicos citados acima – Wado e a banda Realismo Fantástico – definem com precisão o som que apresentarão hoje, às 21h30, na área de convivência do Sesc Bauru.
“A gente faz uma música brasileira estranha.” Por que estranha? “Ela não é nem rock, nem samba. Mas fica no meio dessas duas coisas. É música brasileira contemporânea”, esboça o cantor Oswaldo Schilickmann, 27 anos, o Wado, que acredita que os diferentes perfis dos integrantes da banda realmente fazem a diferença na hora de plugar os instrumentos e tocar.
Já o baterista Thiago Nistal, paulista, mostra-se mais sóbrio ao definir o resultado do terceiro CD do grupo, “A Farsa do Samba Nublado” (Outros Discos).
“Basicamente, é MPB”, confessa. “A partir desse disco, a gente ficou com uma pegada mais roqueira. Não foi nada intencional, mas aconteceu. Apesar de ter mais rock, é também o disco mais samba que a gente fez. A gente fica nesse meio termo mas, no final das contas, eu acho que é música pop, que engloba tudo”, acrescenta.
Identidade
Embora os músicos da banda e o cantor Wado estejam batalhando juntos desde 2000, foi só no lançamento do último disco que o “catarinense de Alagoas” decidiu assumir o grupo, batizado de “Realismo Fantástico”. Além de Wado e Thiago, participam Alvinho Cabral (violão e vocais) e Sérgio Soffiatti (baixo elétrico). Nos dois primeiros álbuns - “Manifesto da Arte Periférica” e “Cinema Auditivo”, eles se apresentavam apenas como Wado.
“No primeiro disco, eu tinha canções e chamei amigos para gravar. No segundo, a gente começou a virar mais banda. Antes da gravação do terceiro, a coisa já estava muito banda. Nenhuma composição é de um autor só. Então resolvemos assumir o grupo. Apesar de que, logisticamente, não ficou muito bom porque o nome é grande”, justifica Wado.
As letras das músicas geralmente são compostas por ele e a harmonia costuma ser pensada por Alvinho Cabral, que toca violão e faz os vocais. Mas o disco traz também composições de outros autores, além de parcerias. Entre as faixas do novo CD, estão temas de amor. “O primeiro disco tinha uma temática bem social. O segundo é bem singelo, intimista. Já o terceiro é contestador, parecido com o primeiro, só que vai mais para posicionamentos comportamentais - não tão sociais”, argumenta o líder do grupo.
Eles apontam como pontos altos da trajetória a apresentação no Rec Beat de 2001, em Recife, e no Tim Festival 2003, no Rio de Janeiro, além da participação no Projeto Pixinguinha, no ano passado.
Agora, Wado e Realismo Fantástico estão em fase de divulgação do novo CD e pretendem fazer uma turnê pelo Interior de São Paulo – começando por Bauru e Ribeirão Preto, em fevereiro -, além de capitais como Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Vitória (ES) e Brasília (DF).
• Serviço
Wado e Realismo Fantástico apresentam músicas do CD “A Farsa do Samba Nublado”, hoje, na área de convivência do Sesc, a partir das 21h30. Outras informações podem ser obtidas através do telefone (14) 3235-1750.