Bem mais que uma simples questão ambiental, o lixo é hoje um problema crucial para qualquer prefeitura, pois assim como a água, o esgoto, a qualidade do ar, também o lixo é um problema de “saúde pública” e o seu tratamento e destinação são de vital importância na estrutura de saneamento básico de uma cidade. Aliás, o lixo é mais importante ainda, porque o seu acúmulo causa transtornos e conseqüências nocivas à saúde de todos, fatos estes plenamente verificáveis por ocasião de uma greve nesse setor. E não é difícil entender o porquê disso, pois você pode ficar um tempo sem água, você pode ficar muito tempo sem um tratamento adequado de esgoto, você pode respirar um ar poluído também por muito tempo, mas é inconcebível e ninguém agüenta por muito tempo o acúmulo de lixo, principalmente o lixo orgânico.
Sendo assim, preocupa-nos o desenrolar dos acontecimentos envolvendo o setor de limpeza urbana e a direção da Emdurb que é a empresa responsável pelo gerenciamento público dessa questão e, ao que tudo indica, esta emergencial terceirização presume uma eventual e futura privatização desse setor. Surpreendente, não? Entra governo, sai governo, será que daqui para frente, tudo será igual? Será que novamente irão usar nosso suado imposto para financiar as suas irresponsabilidades públicas? Aliás, no IPTU que iremos pagar já não tem um percentual destinado à limpeza pública? Se é difícil cortar gastos, pelo menos que se gaste com eficiência em prioridades sociais, e a questão do lixo é uma prioridade essencial, ou não? Que a situação financeira da prefeitura é precária, ninguém questiona essa suposta verdade, então que se melhore a qualidade do gasto (reduzir custos), por exemplo, que a parte rural da Emdurb passe para a Secretaria da Agricultura e esta volte a ser a Emdurb de antes e, nessa linha de raciocínio, também seria oportuno a fusão de várias outras secretarias de governo como bem sugeriu o José Clemente Rezende (PDT) no início do seu mandato de vereador em carta a esta “Tribuna”. De qualquer forma, o episódio em questão ilustra e dá uma pequena amostra das dificuldades e dos desafios que o prefeito Tuga Angerami (PDT) terá pela frente no seu “teste real” de construir uma cidade “mais bela, mais justa e mais democrática”.
PS - Controle público das políticas de governo é um controle feito pela sociedade organizada, não pelo governo, e nada mais justo, pois a sociedade é quem financia o governo e, portanto, deve fiscalizar juntamente com o Legislativo as suas ações, mas para isso tem que haver “transparência no trato da coisa pública”, e ao menos nesse episódio do lixo não houve, o que houve, sim, foi uma “precipitação” desnecessária do presidente da Emdurb, aliás, tudo o que a cidade nesse momento não precisava e o governo menos ainda (desgaste).
Aurélio da Silva Braga - RG 12.912.493