Turismo

Dunas e águas frias

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

O vento sopra forte em Cabo Frio aliviando o calor. E é ele o responsável por um dos mais famosos cartões-postais da cidade: suas dunas de areias finas e alvas, de formas mutáveis e de cujo topo avistam-se o oceano, a cidade, Arraial do Cabo e a Lagoa de Araruama.

Distante 168 quilômetros do Rio de Janeiro, Cabo Frio foi descoberta pelo navegador Américo Vespúcio, entre 1503 e 1504 - época em que lá viviam os índios tupinambás e tamoios.

Uma vez estabelecido o domínio da localidade, Vespúcio fundou na região a primeira feitoria das Américas. Em seguida, o navegador deu início à exploração do pau-brasil.

Entre 1650 e 1660, a grave crise do sal português que desabasteceu o Brasil, chamou a atenção metropolitana para a cristalização natural do produto na Lagoa de Araruama. Assim, Cabo Frio recebeu um novo impulso econômico responsável pela construção de seus principais prédios históricos.

Em 1704, a área transformou-se em vila de pescadores e explandiu seu centro comercial com o apoio do imperador que doou substanciosas quantias para a edificação do Forte São Mateus e a Charitas, prédio destinado a abrigar e educar recém-nascidos de mães solteiras e pobres, que deixados à noite em suas portas, eram recolhidos anonimamente.

Somente muito depois, Cabo Frio voltou seus olhos para o turismo. Hoje, é uma das cidades fluminenses mais procuradas para o descanso, por contar com uma costa bem recortada, praias brancas e ilhotas verdes.

E por oferecer também ao turista a chance de visitar suas construções históricas (principalmente igrejas) dos séculos 17 e 18.

O modelo arquitetônico da cidade ainda guarda resquícios desta época. O Forte São Mateus, construído no ano de 1616, é um exemplo da influência portuguesa na localidade. Dele a vista é bela, especial no pôr-do-sol.

No mesmo estilo, o Convento de Nossa Senhora dos Anjos, que guarda importantes obras barrocas, e a igreja da Ordem Terceira de São Francisco; ambas instaladas na região central, no Largo do Santo Antônio.

A Matriz Nossa Senhora Assumpção guarda uma preciosidade: uma imagem da padroeira encontrada por pescadores na Ilha do Cabo. Construída em 1660, a igreja, que fica em frente à Praça Porto Rocha, conserva em seu interior o estilo colonial português.

275 dias sol

A melhoria das vias de acesso, as condições climáticas excepcionais - chove muito pouco em Cabo Frio - o patrimônio histórico-cultural extremamente atrativo e as transformações de ordem sociocultural foram decisivos para que o turismo crescesse na cidade.

Tudo começou na década de 40, quando a cidade era apenas ponto de atração de ricos aventureiros do Rio de Janeiro, de encontro social de poucos privilegiados, de praticantes de esportes náuticos e submarinos.

Depois, Cabo Frio passou a se constituir em local de atração turística para cariocas e mineiros, de instalações de residências de veraneio, clubes náuticos, de diversões noturnas, de hotéis e restaurantes e de serviços comerciais e de abastecimento.

A inauguração da ponte Rio-Niterói e recentemente da Via Lagos, deu lugar a fase atual de turismo de massa.

Em Cabo Frio ocorre o fenômeno oceanográfico da ressurgência. Trata-se de correntes submarinas que nascem nas Ilhas Malvinas, próximas à Antártica, e afloram intermitentemente no litoral cabista quando sopra o vento nordeste.

São águas geladas responsáveis pelo nome de batismo português da região, muito salgadas e ricas em micronutrientes que dão início à cadeia alimentar marinha e resultam na presença abundante baleias, cetáceos, peixes, crustáceos e moluscos em Cabo Frio.

O clima na cidade é semi-árido (quente e úmido). O sol brilha em média 275 dias por ano, numa temperatura que varia entre 40º em janeiro e 16º em junho.

Muito sol, pouquíssima chuva e baixa umidade do ar são os fatores responsáveis pela freqüência e intensidade do vento nordeste, que sopra quase o ano inteiro e afasta as nuvens carregadas.

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